
The Fat of the Land é o álbum mais alucinante e vertiginoso da história! Enérgico, é só por si uma mistura explosiva de elementos que nos fazem entrar numa espécie de espiral hipnótica sem fim á vista!
Em 1997 os Prodigy, como eram apresentados na capa, surpreenderam tudo e todos: tornaram-se mais pesados que muito metal, mais punks que os próprios punks e ao vivo tornaram-se um catalisador de massas inacreditável!
Se «Charly» e «Everybody is in the Place» lançavam o Big Beat e a cena Rave em crescimento a um público mais atento, Music fo the Jilted Generation dava voz aos punks dos anos 90, os ravers que viam em «Their Law» um grito de revolta.
Depois da proibição das conhecidas Rave-partys, Liam Howlett produz o seu primeiro grande álbum. «No Good (Start to Dance)» virou banda sonora virtual, «Voodoo People» e «Poison» clássicos a par dos que ainda estavam para vir…
No final do século a música electrónica parecia fundir-se com o Rock em crescentes vertentes, desde o aparecimento do Nu-Metal, ao Big Beat que originou sucessos como Fat Boy Slim que em 98 lançavam o segundo álbum – You’ve Come a Long Way, Baby com sucessos como «Rockafeller Skank» e «Right Here Right Now». Outros projectos apareceram na mesma base, The Chrystal Method e The Chemical Brothers, que curiosamente em 97 também lançavam o clássico Dig Your Own Hole, reconhecido pelo convidado Noel Gallagher , um dos gémeos que davam a cara pelos Oasis.
Poderá ter sido uma moda, mas tal como no Trip-Hop, os icons mantiveram-se sem dar o lugar aos novatos que por aí andam…
É inevitável destacar este Fat of the Land de tudo o resto “semelhante”… mais de 10 anos depois, e a caminho dos 15, os temas deste álbum levam á loucura qualquer um, numa base de fans cada vez maior!
A conquista é feita ao vivo, mas a obra é inexplicável! «Smack my Bitch Up» desenrola a carpete vermelha. O seu vídeo, fora mais do que proibido no air-play televisivo. Tal como a música, é violência pura, ao som do primeiro sample sente-se um relâmpago a acertar directamente no nosso corpo. A cada bater dos pratos da bateria, cada músculo do nosso corpo contrai e “explode”. É irracional, animalesco, é Prodigy!!
Intervalado por vozes do além, algo vindo das arábias, assistimos ao pico de adrenalina da abertura dum mosh-pit misturada na envolvência macabra do trance psicadélico. Dispara o nosso fluxo sanguíneo, ecoa no nosso cérebro e não nos deixa parar.
Impensável será o facto de esta ter como base temas sample que vão desde os icons Disco, Kool & the Gang, passando pelos rebeldes Rage Against the Machine entre outros, de forma quase imperseptível.
Cada música é inveja pura. São mimadas e rabugentas. Querem ser o centro das atenções e por isso obrigam-nos a esquecer o mundo que nos envolve. Bem-vindos ao mundo paralelo, bem-vindos ao mundo Prodigy.
A linha de abertura de «Breath» é mais do que uma referencia para qualquer um que já se tenha atravessado no percurso sem fronteiras da banda. As influências estruturais da sua música são visíveis. Não as vão buscar ao techno da moda nem a outras vertentes electrónicas.
Este é o Rock’n’Roll do futuro. Este tema é descarado. Feito para transmitir a adrenalina de uma perseguição de carros, de uma luta ou de um tiroteio – esta foi a melhor invenção para os milhares de filmes de acção de segunda – em vez de efeitos sonoros basta porem «Breath» para a adrenalina atingir níveis garantidamente superiores.
“Psicosomatic Addict Insane” …. Os versos são cantados em coro num caos como só Liam, Keith e Maxim conseguem gerar.
A par de «Firestarter», este tema fora a camisola de todo o álbum ainda antes de este ter saído ao público. Os videos anunciavam algo de estrondoso, antecipando The Fat of the Land como a possível obra-prima do famoso trio. O resto é visível.
Os Breaks de bateria são mais do que viciantes sem nunca cair na tentação do Drum'n'Bass repetitivo deixando a tarola a ferver...
Este álbum não dá lugar a interludios e introduções desnecessárias. Por outro lado, dá lugar à distinção de temas num golpe de génio por parte de Liam Howlett que se demonstra um produtor único á face da terra! Nada se revela “mais do mesmo” como por vezes se verifica em álbuns de electrónica. A verdade é que isto não é um simples álbum de electrónica, isto é a música do futuro a pousar no presente!
Desde Nevermind the Bollocks que não se via algo do género. Polémicos, numa imagem que pouco apela a um dia apresentar á familia, certamente viram no exemplo dos Sex Pistols o espírito Semi-Anarca que se apoderava da juventude raver da altura.
E a verdade é que muito do seu sucesso inicial passa mesmo por aí... Os tops europeus e norte-americanos foram invadidos nesta febre que ainda hoje só se verifica com eles. Repare-se no mais recente Invaders Must Die, também ele um álbum de culto para os fans da banda, apesar da sua imaturidade.
«Diesel Power» trás ao álbum uma vertente mais hip-hop, e não me refiro directamente aos versos de Kool Keith mas sim a todo o flow ( como muitos gostão de chamar) que o tema recria sem nunca esquecer aquele toque de sujidade e de agressividade pura. Os tempos foram drásticamente reduzidos, impossibilitando por isso o título de single a um dos temas de melhor produção da história dos Prodigy.
Para todos aqueles que gostam de brincar aos Dj's em programas de remistura e de uso de samples, brinquem com o EQ, usem e abusem do modo Mono para Stereo e vice-versa, inventem linhas de baixo disformes ao ritmo base... Criem rasgos e prolongamentos que fiquem no ouvido. No fim, ouçam «Funky Shit» e apaguem toda a porcaria que criaram! Este temas é muito bom mesmo! Talvez por nunca ter caído na banalidade, é um dos meus temas favoritos da banda á muitos anos mesmo.
«Oh My God it's the Funky shit!!!!» - abre caminho a um dos tons mais psicadélicos do álbum. Mais dançável e menos rockeiro que muitos dos temas apresentados, confirma a diferenciação do trabalho de Liam que se demonstra a peça essencial de toda a carreira dos britânicos.
Os outros dois, por muito reconhecidos que sejam, e aplaudidos pela maioria, funcionam apenas como o tal catalisador que difere de tudo o resto. Entertainers.
Ao som de Sirenes despedimo-nos do dancefloor underground e re-entramos no tal mundo onde o Hip-Hop de funde no Big Beat e no Techno à lá 90's... «Serial Thrilla» trás a reconhecida vocalista dos Skunk Anansie, Skin, a dar a voz pelo tema, algo que ainda hoje me faz confusão pois longe está do seu timbre inconfudível em temas como «Hedonism (Just Because You Feel Good)» que celebram a sua carreira respeitável.
«Mindfields» relembra de certa forma «Poison». Num slow-pace esquisofrénico, ganha uma nova envolvencia no ouvinte. Não que os temas ditos rápidos não o sejam. Pelo contrário, apenas se verifica outro tipo. Algo mais pessoal, por assim dizer.
A voz de Maxim é fria, medonha e autoritária. A sua personagem em palco dita o mesmo.
“This is dangerous
Open up your head feel the shell-shock”
A distinção do trio personifica os Prodigy em si, o que se revela interessante visto que a mistura explossiva sem mantém intacta e o sucesso parece não apaziguar!
Lembram-se da banda sonora do Matrix? Aquela repleta de Paul Oakenfold e Dusty Brothers? Misturem com aqueles vocals melancólicos de alguma House-Music que se ouvia á uns 6 ou 7 aninhos... A cargo da voz fica Cristian Mills, um cantor-compositor reconhecido pelo seu indie e que dá o seu contributo a um tema onde se verifica uma certa liberdade criativa e onde se denota uma certa progressividade no tema mais prolongado. «Narayan» é dos momentos menos chamativos do álbum, no entanto, é na subtilidade perante os restantes que faz dele uma peça a ter em conta. O Drum-solo na recta final mistura-se com sons do além e com uma entrada ao estilo Basement Jaxx («Where's Your Head At?»).
Olhem para este tema como sendo um daqueles solos mágicos que por vezes verificamos nos concertos antes daquele momento chave...
«Firestarter»!!!!!! O momento de psicose pura! De loucura desmesurável! Um dos picos de toda a sua carreira, e um dos all-time favourite de muita gente. Percebe-se o porquê. Sem espinhas, é dos temas mais arrebatadores de sempre!
Tragam os fósforos! Vamos pegar fogo á bomba de gasolina! Partir vitrines, mandar cocktails molotov e rebentar com tudo o que conseguirmos!
“I'm the trouble starter, punkin' instigator
I'm the fear addicted, and danger illustrated”
Existe algo ainda mais punk do que o efeito que esta música cria?!
Keith Flitn a soar mais do que nunca ao mítico Johnny Rotten. Numa viagem entre fúria e paranóia, «Firestarter» é resumidamente a libertação de tudo o que acarretamos ao longo dos tempos, e que ao final de menos de 5 minutos se esquece numa sensação de liberdade total.
Afinal a calma vêm mesmo é depois da tormenta.
Este tema mudou todo o mundo da industria musical. As principais rádios do mundo começaram a dar air-play a todo um novo mundo de música electrónica que sofria o preconceito de invocar tal definição na sua música. Por outro lado, a procura do público e a teimosia de alguns críticos e media em aceitar tamanha evolução, demonstraram o sucesso como uma das maiores ironias das ultimas décadas no mundo da música.
«Climbatize» deixa-nos suspensos no ar, numa recta final visível... uma espécie de despedida em slow-motion dos picos arrebatadores que a antecederam. Mais uma vez a liberdade criativa, que poucos têem direito, é visível na produção muito a cima da média de Liam Howlett
«Fueled By Fire» hoje soa-me a mero rascunho de «Piranha» do mais recente trabalho da banda, no entanto trata-se de um bom tema.... para um do álbuns anteriores. A verdade é que é no fecho que o tema descaí um pouco do nível que manteve ao longo de 9 temas. No entanto, a média é mais do que positiva, e ao fim de uma hora a pulsação está a mil e o suor visível a cada poro do corpo reflecte o efeito Prodigy.
No fim a única conclusão possível é de que a chave para o Space Shuttle pode ser encontrado em qualquer Fnac ou loja do género. Uma viagem supersónica, dinâmica e arrebatadora. Uma Viagem como só Prodigy conseguem criar.
Um álbum que certamente não desiludirá nem os fans de música rock muito menos os de electrónica. O Big Beat demonstra o futuro, os Prodigy demonstram-se os Messias.
1 - Smack My Bitch Up
2 - Breath
3 - Diesel Power
4 - Funky Shit
5 - Serial Thrilla
6 - Mindfields
7 - Naraya
8 - Firestarter
9 - Climbatize
10-Fuel by Fire
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