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Vulgarmente, nos dias que correm, ouvimos referências a Radiohead como sendo a «maior» banda da actualidade musical. A mais completa, a mais irreverente, a melhor.
Tudo isto é muito subjectivo, mas a verdade é que a formação liderada por Thom Yorke já tem o seu lugar na história. Hoje são ídolos e influencias, e muito se deve a OK Computer.
Depois de um Pablo Honey de estreia, marcado pelo hino do rock radiofónico «Creep», The Bends mantivera a lógica duma banda de rock britânico dito alternativo. Sem grandes complementos, a banda começava a ganhar visibilidade e em 97 todos esses aspectos tornaram-se essenciais na mudança da sua sonoridade e naquilo que hoje reconhecemos como fantástico.
Um síndrome bem Kurt Cobain ( «Smells Like Teen Spirit») marcou a banda que parecia só ter um tema no curto mas já respeitoso reportório. «Creep» é hoje um momento raro de se ver, e da sua exaustão saiu uma mudança total do rock cru dando lugar a algo mais progressivo e aventureiro.
OK Computer é o ponto de viragem. Kid A, lançado em 2000, tornar-se-ia demasiado confuso para quem saltá-se este incrível marco na musica dos últimos 20 anos.
Um quadro dinâmico, que muda a sua pintura de forma inconstante. Por vezes sente-se um auto-retrato na voz de Thom Yorke que se demonstra um letrista fora do comum. Por outras entramos num abismo colossal de efeitos sonoros consideráveis.
A recepção dum álbum destes não é fácil, os ventos de mudança são visíveis… Radiohead prestes a conquistar o mundo sem dúvida.
Procuravam algo de novo, que marca-se a sua carreira de forma a abalá-la, não caindo no facilitismo de meras sequelas e continuações de álbum para álbum.
A fórmula tinha funcionado anteriormente, e não deram sequer azo ao desgaste.
«Airbag» é um dos temas que faz deste álbum, o meu favorito da banda. O Riff esmagador que dá abertura a este longa-duração assemelha-se ao medonho som da gigantesca chaminé do Titanic em queda… É estrondoso sem assustar ninguém. A voz de Thom Yorke não o permite.
O uso de samples ao nível da percussão, bateria e baixo, é algo subtilmente genial, melhor, só mesmo o registo vocal que se torna hipnótico. O cérebro flutua ao som deste tema.
Consta que o famoso DJ Shadow teve a sua cota de influência ( Endtroducing ) na produção deste tema em concreto. Inevitável será dizer que a evolução está á vista de qualquer um.
Relembrando de certa forma «Just» de forma a não ser aquele choque…
O tema que se segue é um daqueles momentos-chave em toda uma carreira. Um tema mais prolongado do que a banda nos tinha vindo a habituar, deixa para trás o brit-pop de todo e procura algo mais progressivo e de certa forma mais sentido.
«Paranoid Android» é mais do que viciante! Será esta uma procura de algo épico, como por exemplo um «Bohemian Rhapsody» dos Queen aplicado ao final do milénio? Em 1997 certamente não imaginariam o estatuto que viriam a ter nem a forma como iriam abalar toda a indústria discográfica com o álbum In Rainbows (2007), uma década depois…
Sem rodeios, épico ou não, é um tema fantástico. Uma salada de frutas perfeita onde se jogam todo o tipo de sentimentos, de emoções e de rasgos de completa inconsciência – de loucura pura e dura.
Já ouvi por ai ao virar da esquina cibernautica e tropeçando em alguma imprensa especializada, que este OK Computer se revelou de certa forma um neo-Dark Side of the Moon, e eu compreendo perfeitamente o que querem dizer com isto.
Não se trata de números nem de sonoridades concretas, é mesmo o sentimento de busca. De liberdade artística.
Para tal muito contribuiu o facto de este álbum ter sido gravado fora da movimentada cidade e pela própria banda, de forma a garantir uma certa independência musical. Concentração total.
As 4 fases distintas de «Paranoid Android» complementam-se numa fábula autêntica. Daquelas que começam… Era uma vez os Radiohead que faziam boa música. Moral da História? O sucesso mais do que merecido.
"You don't remember, you don't remember, why don't you remember my name? Off with his head, man, off with his head, man, why don't you remember my name? I guess he does"– arrebatador! Um Riff que não precisa de muito mais para partir a loiça toda!
«Subterranean Homesick Alien» entra numa onda mais calma. Os efeitos de fundo demonstram-se essenciais aos novos temas, e a verdade é que os pormenores fazem a diferença! O efeito Chill-Out transcende muitas das músicas que se denominam de tal. Psicadélico ao ponto de nos transpor para um mundo em slow-motion, onde as cores não são estáticas e onde o conceito de volume não existe. 4 minutos e meio no País das Maravilhas atrás da bela Alice…
«Exit Music (For a Film)» prova que os álbuns que ficam para a história são aqueles que buscam toda uma variedade de reacções, de temas e de composições.
“Today we escape… we escape.” .
Esta música em concreto consegue baixar o astral ganho com o rock orelhudo e o psicadelismo experimental dos temas anteriores. O dom da palavra de Thom Yorke é comprovado através de temas como este, que consegue criar todo um ambiente de desconforto e de alguma nostalgia. Infelicidade.
No verso da medalha está o título já carimbado de depressivo… Um tema pleno de emoção. Um confessionário.
Desiludam-se se procuram neste 3º álbum uma renovação de músicas como «High and Dry» ou até mesmo a rockeira «Anyone Can Play Guitar»! «Let Down» prova uma produção muito acima da média, cada som é trabalhado ao pormenor, e se o ouvinte estiver num estado de espírito explorador encontra camadas e camadas de pequenos pormenores que distinguem os que ficam e os que passam.
É a meio do álbum que encontramos o hino Radiohead. Aquele que se ouve em uníssono público-palco nos seus tão aclamados concertos. É aquele que nos faz crescer aquele arrepio. É aquele, que sem sabermos porquê, se demonstra um camaleão a cada audição! Que cria reacções distintas.
«Karma Police» é uma prova da genialidade da banda em todos os aspectos!
Não é um sucesso comercial indiscutível que comprova o que digo, é verdade. No entanto não desiludirei ninguém ao afirmar que este é o tema que marca o peso de uma nova era de rock alternativo, da maior vitória para a música indie.
Toda uma nova geração foi criada. Antes de OK Computer e Depois de OK Computer são épocas distintas . A-OK / D-OK , nascia a religião Radiohead.
O projecto Easy Star All-Star viu neste registo toda uma nova referência para o Reggae que produzem, criando uma espécie de álbum de versões deste mesmo. Um registo agradável e divertidamente descomprometido.
“Karma Police arrest this man.” - as alegorias são cada vez mais trabalhadas e de certa forma fascinantes.
Se verificarmos o panorama musical dos últimos anos verificamos um crescimento das bandas baptizadas de indie. O Rock alternativo, muitas vezes apontado como pãozinho-sem-sal, ganhou um público fiel e conhecedor. O seu elitismo deu lugar a um certo fascínio.
A procura de novos métodos de composição levaram a novas descobertas e novas procuras. Visionários como Thom Yorke demonstraram-se autênticos Da Vinci num Renascimento com base em tudo o que o novo milénio nos prometia oferecer.
A electrónica demonstra-se definitivamente o 5º elemento duma banda de rock do séc. XXI.
«Fitter Happier» demonstra um cómico Sam, a voz robótica que muitos conheceram graças ao processador Windows dizendo palavras aparentemente aleatórias, num interludio WTF?! …
O sarcástico frontman também dá o seu sinal de graça de vez enquando. Quem disse que o indie tinha de ser rígido?
Os Radiohead que hoje conhecemos estão longe de bandas como os Oasis que sobrevivem na imprenssa muito graças aos gigantescos egos dos irmãos Gallagher. Estes sobrevivem nos media graças á sua vertente politica assinalável. Sem camisolas assumidas, dão um novo peso de consciência desde a industria musical á política não deixando para trás o seu carácter ambientalista.
«Electioneering» revela isso mesmo. E desculpem-me os fans, pelos menos aqueles pós- (Whats the Story) Morning Glory, coitadinhos dos Oasis enquanto forem postos desta forma na gaveta do Brit-Pop... Simples e eficaz, encontramos na sua reduzida letra uma vontade de se demonstratem activos como voz de muito do seu público. O Sarcásmo é a palavra chave.
“Riot shields, voodoo economics,
it's just business, cattle prods and the I.M.F.
I trust I can rely on your vote. “
O retorno dos samples assombrosos é registado na fantástica «Climbing Up the Walls», num falsete que deixa muita matéria para o Matt Bellamy (Muse) aprender. Possivelmente, sem Ok Computer não teriamos muitos dos temas que fazem sucesso no reportório crescente dos Muse! Se bem que em '99 a quando do lançamento de Showbiz, os próprios Muse não acharam muita piada á comparação...
Relembrando sons que nos transmitem um cenário Homem vs Máquina, este tema na estrutura do álbum serve de exorcismo. Apesar de balada, esta música trás tudo menos conforto... é confusa e demasiado pessoal...
«No Suprises» é um renascer total após tamanho experimentalismo. Envolvente e dona de uma atmosféra única!
O uso do som cristalino do xilofone tira lugar ao empreendorismo doutros temas, no entanto é uma beleza estonteante que descobrimos num dos temas mais tristes de toda a galáxia Radiohead.
Um hino de alienação moderna, que retrata a monotonia que marca a vida quotidiana do ser humano. O típico trabalhador das 9h ás 18h e 30m. A infelicidade de viver de certezas e de rotinas.
“A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal.
You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us.
I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide,”
Não se precisa de ser um die-har fan para se apaixonar por este tema.
OK Computer é de certa forma um pedaço de Modernismo Urbano aplicado á música rock, e este tema é sem dúvida um dos seus melhores agente imobiliários. Um dos melhores temas da sua discografia, e não me digam o contrário. Single ou não...
E pegando por onde acabei o parágrafo anterior, «Lucky» é um exemplo do inexplicável. Este tema merecia ser a bandeira de um álbum, e nem sequer foi apresentado como single! E esta?
A única explicação que encontro é mesmo porque não se trata de um original do Ok Computer mas com dois anos antes, tendo saído numa compilação para uma campanha de solidariedade em 95...
De qualquer forma, é um autentico pecado para o seu fidedigno público não saber este tema de trás para a frente de tanto passar no leitor de Cds... Esta tenho a certeza que foi escrita para ser cantada por centenas de vozes! Não fará outro sentido senão esse...Não quero que faça pelo menos. «Lucky» fluí como nem uma pena a flutuar numa tarde de Primavera. É muito mais que superficial. É encantadora.
A despedida torna-se complicada, e «The Tourist», talvez por esse encargo, é o tema que menos faço questão de ouvir... Jonny Greenwood, o multi-instrumentalista, é um compositor nato, e a muito se lhe deve os créditos da banda. A ele também se lhe deve esta capacidade em puxar pelos dotes do vocalista, num mundo de subtileza electrificante, onde a perceptibilidade e o easy-listening foram deixados para trás. Radiohead é elitista. Não é para qualquer um: é para quem se atreve a ir mais longe.
OK Computer, saia 3 anos mais tarde e seria o melhor álbum deste novo milénio, pelo menos , até á data.
1- Airbag
Tudo isto é muito subjectivo, mas a verdade é que a formação liderada por Thom Yorke já tem o seu lugar na história. Hoje são ídolos e influencias, e muito se deve a OK Computer.
Depois de um Pablo Honey de estreia, marcado pelo hino do rock radiofónico «Creep», The Bends mantivera a lógica duma banda de rock britânico dito alternativo. Sem grandes complementos, a banda começava a ganhar visibilidade e em 97 todos esses aspectos tornaram-se essenciais na mudança da sua sonoridade e naquilo que hoje reconhecemos como fantástico.
Um síndrome bem Kurt Cobain ( «Smells Like Teen Spirit») marcou a banda que parecia só ter um tema no curto mas já respeitoso reportório. «Creep» é hoje um momento raro de se ver, e da sua exaustão saiu uma mudança total do rock cru dando lugar a algo mais progressivo e aventureiro.
OK Computer é o ponto de viragem. Kid A, lançado em 2000, tornar-se-ia demasiado confuso para quem saltá-se este incrível marco na musica dos últimos 20 anos.
Um quadro dinâmico, que muda a sua pintura de forma inconstante. Por vezes sente-se um auto-retrato na voz de Thom Yorke que se demonstra um letrista fora do comum. Por outras entramos num abismo colossal de efeitos sonoros consideráveis.
A recepção dum álbum destes não é fácil, os ventos de mudança são visíveis… Radiohead prestes a conquistar o mundo sem dúvida.
Procuravam algo de novo, que marca-se a sua carreira de forma a abalá-la, não caindo no facilitismo de meras sequelas e continuações de álbum para álbum.
A fórmula tinha funcionado anteriormente, e não deram sequer azo ao desgaste.
«Airbag» é um dos temas que faz deste álbum, o meu favorito da banda. O Riff esmagador que dá abertura a este longa-duração assemelha-se ao medonho som da gigantesca chaminé do Titanic em queda… É estrondoso sem assustar ninguém. A voz de Thom Yorke não o permite.
O uso de samples ao nível da percussão, bateria e baixo, é algo subtilmente genial, melhor, só mesmo o registo vocal que se torna hipnótico. O cérebro flutua ao som deste tema.
Consta que o famoso DJ Shadow teve a sua cota de influência ( Endtroducing ) na produção deste tema em concreto. Inevitável será dizer que a evolução está á vista de qualquer um.
Relembrando de certa forma «Just» de forma a não ser aquele choque…
O tema que se segue é um daqueles momentos-chave em toda uma carreira. Um tema mais prolongado do que a banda nos tinha vindo a habituar, deixa para trás o brit-pop de todo e procura algo mais progressivo e de certa forma mais sentido.
«Paranoid Android» é mais do que viciante! Será esta uma procura de algo épico, como por exemplo um «Bohemian Rhapsody» dos Queen aplicado ao final do milénio? Em 1997 certamente não imaginariam o estatuto que viriam a ter nem a forma como iriam abalar toda a indústria discográfica com o álbum In Rainbows (2007), uma década depois…
Sem rodeios, épico ou não, é um tema fantástico. Uma salada de frutas perfeita onde se jogam todo o tipo de sentimentos, de emoções e de rasgos de completa inconsciência – de loucura pura e dura.
Já ouvi por ai ao virar da esquina cibernautica e tropeçando em alguma imprensa especializada, que este OK Computer se revelou de certa forma um neo-Dark Side of the Moon, e eu compreendo perfeitamente o que querem dizer com isto.
Não se trata de números nem de sonoridades concretas, é mesmo o sentimento de busca. De liberdade artística.
Para tal muito contribuiu o facto de este álbum ter sido gravado fora da movimentada cidade e pela própria banda, de forma a garantir uma certa independência musical. Concentração total.
As 4 fases distintas de «Paranoid Android» complementam-se numa fábula autêntica. Daquelas que começam… Era uma vez os Radiohead que faziam boa música. Moral da História? O sucesso mais do que merecido.
"You don't remember, you don't remember, why don't you remember my name? Off with his head, man, off with his head, man, why don't you remember my name? I guess he does"– arrebatador! Um Riff que não precisa de muito mais para partir a loiça toda!
«Subterranean Homesick Alien» entra numa onda mais calma. Os efeitos de fundo demonstram-se essenciais aos novos temas, e a verdade é que os pormenores fazem a diferença! O efeito Chill-Out transcende muitas das músicas que se denominam de tal. Psicadélico ao ponto de nos transpor para um mundo em slow-motion, onde as cores não são estáticas e onde o conceito de volume não existe. 4 minutos e meio no País das Maravilhas atrás da bela Alice…
«Exit Music (For a Film)» prova que os álbuns que ficam para a história são aqueles que buscam toda uma variedade de reacções, de temas e de composições.
“Today we escape… we escape.” .
Esta música em concreto consegue baixar o astral ganho com o rock orelhudo e o psicadelismo experimental dos temas anteriores. O dom da palavra de Thom Yorke é comprovado através de temas como este, que consegue criar todo um ambiente de desconforto e de alguma nostalgia. Infelicidade.
No verso da medalha está o título já carimbado de depressivo… Um tema pleno de emoção. Um confessionário.
Desiludam-se se procuram neste 3º álbum uma renovação de músicas como «High and Dry» ou até mesmo a rockeira «Anyone Can Play Guitar»! «Let Down» prova uma produção muito acima da média, cada som é trabalhado ao pormenor, e se o ouvinte estiver num estado de espírito explorador encontra camadas e camadas de pequenos pormenores que distinguem os que ficam e os que passam.
É a meio do álbum que encontramos o hino Radiohead. Aquele que se ouve em uníssono público-palco nos seus tão aclamados concertos. É aquele que nos faz crescer aquele arrepio. É aquele, que sem sabermos porquê, se demonstra um camaleão a cada audição! Que cria reacções distintas.
«Karma Police» é uma prova da genialidade da banda em todos os aspectos!
Não é um sucesso comercial indiscutível que comprova o que digo, é verdade. No entanto não desiludirei ninguém ao afirmar que este é o tema que marca o peso de uma nova era de rock alternativo, da maior vitória para a música indie.
Toda uma nova geração foi criada. Antes de OK Computer e Depois de OK Computer são épocas distintas . A-OK / D-OK , nascia a religião Radiohead.
O projecto Easy Star All-Star viu neste registo toda uma nova referência para o Reggae que produzem, criando uma espécie de álbum de versões deste mesmo. Um registo agradável e divertidamente descomprometido.
“Karma Police arrest this man.” - as alegorias são cada vez mais trabalhadas e de certa forma fascinantes.
Se verificarmos o panorama musical dos últimos anos verificamos um crescimento das bandas baptizadas de indie. O Rock alternativo, muitas vezes apontado como pãozinho-sem-sal, ganhou um público fiel e conhecedor. O seu elitismo deu lugar a um certo fascínio.
A procura de novos métodos de composição levaram a novas descobertas e novas procuras. Visionários como Thom Yorke demonstraram-se autênticos Da Vinci num Renascimento com base em tudo o que o novo milénio nos prometia oferecer.
A electrónica demonstra-se definitivamente o 5º elemento duma banda de rock do séc. XXI.
«Fitter Happier» demonstra um cómico Sam, a voz robótica que muitos conheceram graças ao processador Windows dizendo palavras aparentemente aleatórias, num interludio WTF?! …
O sarcástico frontman também dá o seu sinal de graça de vez enquando. Quem disse que o indie tinha de ser rígido?
Os Radiohead que hoje conhecemos estão longe de bandas como os Oasis que sobrevivem na imprenssa muito graças aos gigantescos egos dos irmãos Gallagher. Estes sobrevivem nos media graças á sua vertente politica assinalável. Sem camisolas assumidas, dão um novo peso de consciência desde a industria musical á política não deixando para trás o seu carácter ambientalista.
«Electioneering» revela isso mesmo. E desculpem-me os fans, pelos menos aqueles pós- (Whats the Story) Morning Glory, coitadinhos dos Oasis enquanto forem postos desta forma na gaveta do Brit-Pop... Simples e eficaz, encontramos na sua reduzida letra uma vontade de se demonstratem activos como voz de muito do seu público. O Sarcásmo é a palavra chave.
“Riot shields, voodoo economics,
it's just business, cattle prods and the I.M.F.
I trust I can rely on your vote. “
O retorno dos samples assombrosos é registado na fantástica «Climbing Up the Walls», num falsete que deixa muita matéria para o Matt Bellamy (Muse) aprender. Possivelmente, sem Ok Computer não teriamos muitos dos temas que fazem sucesso no reportório crescente dos Muse! Se bem que em '99 a quando do lançamento de Showbiz, os próprios Muse não acharam muita piada á comparação...
Relembrando sons que nos transmitem um cenário Homem vs Máquina, este tema na estrutura do álbum serve de exorcismo. Apesar de balada, esta música trás tudo menos conforto... é confusa e demasiado pessoal...
«No Suprises» é um renascer total após tamanho experimentalismo. Envolvente e dona de uma atmosféra única!
O uso do som cristalino do xilofone tira lugar ao empreendorismo doutros temas, no entanto é uma beleza estonteante que descobrimos num dos temas mais tristes de toda a galáxia Radiohead.
Um hino de alienação moderna, que retrata a monotonia que marca a vida quotidiana do ser humano. O típico trabalhador das 9h ás 18h e 30m. A infelicidade de viver de certezas e de rotinas.
“A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal.
You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us.
I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide,”
Não se precisa de ser um die-har fan para se apaixonar por este tema.
OK Computer é de certa forma um pedaço de Modernismo Urbano aplicado á música rock, e este tema é sem dúvida um dos seus melhores agente imobiliários. Um dos melhores temas da sua discografia, e não me digam o contrário. Single ou não...
E pegando por onde acabei o parágrafo anterior, «Lucky» é um exemplo do inexplicável. Este tema merecia ser a bandeira de um álbum, e nem sequer foi apresentado como single! E esta?
A única explicação que encontro é mesmo porque não se trata de um original do Ok Computer mas com dois anos antes, tendo saído numa compilação para uma campanha de solidariedade em 95...
De qualquer forma, é um autentico pecado para o seu fidedigno público não saber este tema de trás para a frente de tanto passar no leitor de Cds... Esta tenho a certeza que foi escrita para ser cantada por centenas de vozes! Não fará outro sentido senão esse...Não quero que faça pelo menos. «Lucky» fluí como nem uma pena a flutuar numa tarde de Primavera. É muito mais que superficial. É encantadora.
A despedida torna-se complicada, e «The Tourist», talvez por esse encargo, é o tema que menos faço questão de ouvir... Jonny Greenwood, o multi-instrumentalista, é um compositor nato, e a muito se lhe deve os créditos da banda. A ele também se lhe deve esta capacidade em puxar pelos dotes do vocalista, num mundo de subtileza electrificante, onde a perceptibilidade e o easy-listening foram deixados para trás. Radiohead é elitista. Não é para qualquer um: é para quem se atreve a ir mais longe.
OK Computer, saia 3 anos mais tarde e seria o melhor álbum deste novo milénio, pelo menos , até á data.
1- Airbag
2- Paranoid Android
3- Subterranean Homesick Alien
4- Exit Music ( For a Film)
5- Let Down
6- Karma Police
7- Fitter Happier
8- Electioneering
9- Climbing Up the Walls
10-No Suprises
11-Lucky
3- Subterranean Homesick Alien
4- Exit Music ( For a Film)
5- Let Down
6- Karma Police
7- Fitter Happier
8- Electioneering
9- Climbing Up the Walls
10-No Suprises
11-Lucky
12-The Tourist
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