segunda-feira, 8 de março de 2010

MGMT - Oracular Spectacular (2007)


Na recta final de 2007 surgia o álbum que abalou as listas de melhores de 2008 ironicamente. MGMT, ou Management como muitos na dúvida os citavam, apareciam ao grande público com este inovador Oracular Spectacular, repleto de camadas de sons muito próprios, na descoberta de todo um novo rumo na música indie moderna.
A sua música puxa para o psicadelismo, para uma pop fundamentada em sintetizadores sem cair na tentação do mainstream de consumir e deitar fora.
Fortemente aplaudidos, estes hippies dos tempos modernos oferecem um leque de energia dançável misturado em temas de melancolia e de uma introspectiva total. São temas envolventes, sem serem progressivos demais para se tornarem algo monótonos e aborrecidos, pelo contrário.
De Brooklyn para o mundo, «Time to Pretend» foi o primeiro single que sem dúvida alguma levantou poeira… Um tema mais do que arriscado para o formato single, e a sua passagem na rádio nacional é algo que ainda hoje me faz alguma confusão, visto que se mistura com artistas e musicas que tem o único intuito de vender a curto prazo.
Este é o preview mais do que perfeito para todo o álbum. A brincadeira de sons e de samples mistura-se na guitarra e no órgão num tema de camadas que nos faz viajar na maionese… o Estereotipo da estrela de Rock é o tema, a voz cristalina de Andrew VanWyngarden encaixa na perfeição ao tom da música. Sem cair em exageros, é das músicas mais bem conseguidas dos últimos anos no panorama indie electrónico.

«We'll choke on our vomit and that will be the end.
We were fated to pretend.»

Um futuro clássico da banda que ainda só nos presenteou com este álbum de estreia.

«Weekend Wars» demonstra-se menos «boa onda» e entra numa onda mais politica, e não fossem eles os hippies do Séc.XXI, numa de pacifistas.

«Was I? I was to lazy to bathe
Or paint or write or try to make a change.
Now I can shoot a gun to kill my lunch
And I don't have to love or think too much»

Mais progressivo que o anterior, este tema dá uma maior importancia à bateria que monta o ritmo como maestro de efeitos em espiral. Um tema que não fica nada atrás de alguns temas de Arcade Fire.
Mais sentida que a celebração anterior, demonstra uns MGMT mais conscientes, algo que ganha muito peso nos géneros mais alternativos. A perspectiva do artista reflecte muito a sua música.
«The Youth» é o tema que podemos apontar como a balada do álbum por assim dizer. Um hino á mudança e um apelo, não só aos jovens mas a todos.
Um momento mais descontraído e chill-out, entra no ouvido e espalha-se pelos músculos do corpo. Relaxante e cheio de pequenos pormenores que entram no nosso canal auditivo e que funcionam como pequenas doses de analgésicos. O estado de dormência é selo de garantia.
De seguida o momento alto do Álbum. Dando um seguimento perfeito a «Youth», este título reflecte toda a música. «Electric Feel» é dos melhores temas que tenho ouvido nos últimos anos. É única! Isto é MGMT no seu melhor!
Desde Pink Floyd que os sintetizadores e o efeito psicadélico não eram tão bem trabalhados!
Temos que ter consciência que tratam-se de dimensões bastante diferentes, mas estes rapazes que se juntaram na faculdade para fazer “barulho” estão a abrir caminho para toda uma nova vaga de esperança na música moderna.
O baixo vai buscar referências ao Funk praticado na ultima década, e os efeitos levam-nos a Woodstock ’69 onde certamente fariam sucesso no meio de tantos apologistas da criação do dr. Hoffman.
A sequência final é das mais celebradas ao vivo e percebe-se bem o porquê. Fechem os olhos e deixem-se levar.
Sem parar, o momento mais reconhecido nos dias que correm. Um terceiro single que apenas deixa uma dúvida: porquê terceiro?!
O sucesso foi instantâneo - «Kids» ficou conhecido como banda sonora de um jogo mas também como sendo obrigatória em tudo o que é pistas de dança pelo mundo!
O ritmo é um contra senso para com a letra. Um ritmo mais acelerado que os restantes temas demonstra uma capacidade única de animar a malta! Bate-se palmas, salta-se , dança-se, bate-se o pé, fazemos figuras tristes – acabaram-se as monótonas e ridículas danças de engate, ao som de «Kids» faz-se a festa!
«4th Dimensional Transition» traz algo de novo ao álbum. Uma experiencia mais “espanholada” na guitarra num ritmo alucinante na percussão da bateria. Este tema faz-me lembrar as bandas-sonoras de filmes de Quentin Tarantino, que são tudo menos óbvias. Um tema que lembra os picos dos anos 70… Sintam-se perdidos num Final Fantasy…
«Pices of What» parece caído por acaso na sequência. A guitarra acústica dita um momento mais cru deste Oracular Spetacular. Retomando o ritmo mais acelerado de outros temas, «Of Moons, Birds & Monsters» poderia fazer parte do leque de músicas escolhidas para single.
Uma música bem experimental e progressiva que tira todas as dúvidas que se poderia ter até á altura sobre este álbum. Complicado de se ouvir e gostar nas primeiras audições, soa muito “avant-garde” . E se o álbum em vez de composições simples tivesse seguido por um prisma menos funcional?
«The Handshake» vai buscar um sample base que soa algo a Daft Punk do tempo do Electroma , no entanto, é com a baqueta a embater na bateria que este tema ganha o impacto esperado...e pelo que parece, havia uma nave a pairar o estúdio na altura..
Tal como «Weekend Wars» este tema é cheio de revolta, e de uma politização visível. Um descontentamento sobre o estato das coisas e do mundo que nos rodeia.
Na despedida « Future Reflections» demonstra-se mais indie rock do que outros temas anteriores, será este o futuro dos MGMT?
No final do álbum ficamos com a ideia que falta algo a complementar estes 40 minutos de Oracular Spetacular, será que a magia do álbum passa por aí? Talvez.
Um álbum merecedor de todo o aplauso da crítica que cada vez mais se depara com menos inovação. MGMT é perfeito para quem procura algo de novo, de experimental, de psicadélico , algo que retome de forma futurista os anos 70.


1- Time to Pretend
2- Weekend Wars
3- The Youth
4- Electric Feel
5- Kids
6- 4th Dimensional Transition
7- Pieces of What
8- Of Moons, Birds & Monsters
9- The Handshake
10- Future Reflections

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