segunda-feira, 1 de março de 2010

Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)


No início da década de 70 nomes como Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham não eram de todo estranhos.
Até lá, temas como «Whola Lotta Love», «Ramble On», «Immigrant Song» assim como o instrumental «Moby Dick» eram reconhecidos e aplaudidos tanto pela crítica como pelo público, em especial para o fenómeno das groupies que teve o seu auge muito graças a estes icons do Hard-Rock.

Led Zeppelin IV, como hoje em dia é (re)conhecido é a confirmação perante a crítica de uma das melhores bandas de todos os tempos.
Se nos anos 90 tinhamos um Deus na guitarra chamado Slash, nos anos 70 tinhamos um autêntico Zeus no cimo do Monte Olímpo agarrado á sua Gibson Les Paul. Guitar-Hero devia ser definição de Jimmy Page.
Robert Plant por sua vez representa o futuro de um frontman que conquista não só pelo seu talento incotestável como pelo seu sex-appeal bastante apelativo para as fans.
Por outro lado, John Paul Jones representa a multi-faceta de músico. Um autêntico polivalente na banda, tendo como base o baixo e deixando para o espetacular John Bonham a responsabilidade da bateria.

Esta formação de luxo estava no auge da sua forma e de criatividade, e este álbum explica isso mesmo.
Num formato vocalista vs banda, «Black Dog» apresenta um registo bastante curioso visto que os seus tempos e o seu ritmo inconstante deu num dos riffs mais conhecidos da história do Rock.
Os créditos ao contrário do que muita gente pensa, não vão para Page mas sim para J. Paul Jones que na procura de algo mais inconstante e menos dançável criou este incrível riff que se repete intervalado pela belíssima voz de Robert Plant... ah ah ahhh humm.... Oh Yeah! Baby! Isto é Hard Rock no seu estádo Natural! Se «Immigrant Song» anunciava os primórdios do Heavy Metal, como mais tarde «Kashmir» vinha a comprovar, este tema anuncia o género que viria a ditar o futuro da música nos 20 anos seguintes...
«Black Dog» é um título algo a tender para o non-sense total, algum humor avant-guard para a altura. Consta que Robert Plant montou a sua parte em dois takes apenas...
Sem dúvida um Joker lançado na primeira jogada. O tema seguinte não dá treguas, e desta vez o mérito é mesmo de Jimmy Page.

«Rock'n'Roll». E nada melhor poderia intitular esta música! O Blues Rock, aquele que automáticamente activa o modo swing, é mais do que visível! «Its been a long time since I rock'n'roll!!» enaltece o vocalista.
A voz de Robert Plant está simplesmente perfeita e a linha de baixo monta toda uma estrutura que relembra passagens entre os anos 50 e 60 onde os Led Zeppelin foram buscar referências.
Boham não dá descanso aos pratos da bateria, mas quem é rei e senhor é mesmo Page... Os seus riffs são viciantes e perfuram o nosso canal auditivo sem qualquer tipo de aviso. O corpo responde numa tentativa de air-guitar, simplesmente fantástico.

Estão familiarizados com o bandolim? É uma espécie de cavaquinho usado normalmente em temas mais folk, algo mais liguado á música tradicionalmente nórdica... algo que tradicionalmente nenhuma banda de grande estatúto usa...
Pois bem, os Led Zeppelin deram-se ao luxo de arriscar neste «The Battle of Evermore». Desligaram os amplificadores e agarraram-se a um som mais "natural" optando por seguir viagem em acoustico...
Um tema que possívelmente serviu de inspiração a bandas como Blind Guardian, eternos perseguidores das fábulas fantásticas onde duendes viram heróis na luta contra dragões e afins...
Recorde-se que nessa altura já o Tolkien tinha feito das dele, mesmo sem o Orlando Bloom...

Confesso que escolhi este álbum por este momento em concreto. Se é difícil escolher uma banda para entregar o prémio de melhor de todos os tempos, pior ainda fica a situação quando se procura o melhor tema de todos os tempos. O mais completo, influente , espetacular...
A minha escolha é este 4º tema deste 4º álbum de estúdio dos Led Zeppelin. Sem surpresa, «Stairway to Heaven» seria a minha escolha.
Se este tema fosse um livro seria uns' Lusíadas ou uma Odisseia.

O que haverá para dizer para além do que já fora dito ao longo de 40 anos?! Trata-se de um dos temas mais progressivos da banda, moldado por fases, tempos e tons diferentes ao longo do seu percurso.Um tempo que se constroi a pouco e pouco tornando-se cada vez mais involvente.
Uma primeira introdução demonstra os acordes a acoustico de Page num dos seus melhores momentos de criatividade.
Cada nota que saí parece criar uma atmosfera de espectativa...
Da flauta saíem notas que relembram da idade mediavál uma serenata.

«There's a lady who's sure,all that gliters is gold and she is buying a stairway to heaven...»

Ao som das primeiras palavras de Plant a rendição é inevitável. Muitos dirão que o sucesso deste tema passa mesmo por não ter sido single. Outros vão buscar o interesse do público no suposto verso satânico encotrado se ouvirmos a música de trás para a frente... o que é certo é que este fora o tema mais requesitado nas rádios pelo público dos anos 70, assim como pelas editoras que viam neste tema diamante em bruto. De forma a proteger os interesses da banda e do projecto em si ( a totalidade do álbum IV) isso nunca aconteceu. A magia reside na mesma.

«If There's a bustle in your hedgerow
don't be alarm now
it's just a spring clean
from the May queen»

É o mote da polémica que ainda hoje faz as delícias através do youtube.

O ritmo aumenta, este é o Hino.
O rasgo de loucura dum rock extravagante é sentido a meio do tema que rebenta com as colunas e bombeia o coração mais rápido do que o recomendável. Jimmy Page no seu melhor. Ao vivo para sempre lembrado com a sua double-neck da Gibson EDS, isto sim é um guitarrista!
Num dos melhores solos de sempre da história do rock, o guitarrista dos Zeppelin não poupa ninguém os outros elementos não se deixam ficar para trás.

«Mistin Mountain Hope» retoma o ritmo mais dançável, curiosamente mais funk... Uma referencia ao consumo dos ditos cigarritos para rir segundo alguns "interpretes" mas o que é certo é que se trata de um grande momento entre o baixista John Paul Jones e o baterista John Bonham. «Four Sticks» é reconhecida pelo uso de 4 baquetas na bateria e pela extrema difículdade que a banda teve em gravar este tema incrivelmente mágico. A subtileza destes ultimos temas contrasta com a garra dos primeiros.
No entanto é de reparar que este riff têm algumas semelhanças com o de «Rock'n'Roll».

«Going to California» é mais um grande momento graças aos dotes vocais de Plant que retoma o estilo folk que demarcava o 3º tema do álbum.

Os Led Zeppelin despeden-se deste àlbum clássico curiosamente com uma cover de Kansas Joe McCoy and Memphis Minnie, «When the Levee Breaks» que se destaca pelo trabalho de bateria de Bonham que marca o ritmo da música com o volume um pouco mais elevado deixando que a guitárra de Page se ouça mais ao longe dando destaque aos vocais que se demonstram capazes de efectuar mudanças de verso a verso com rasgos que caracterizam a banda e que se distinguem de tudo o resto.
Led Zeppelin no seu melhor.

1- Black Dog
2- Rock and Roll
3- The Battle of Evermore
4- Stairway to Heaven
5- Misty Mountain Hop
6- Four Sticks
7- Going to California
8- When the Levee Breaks

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