
Já tínhamos saudades duma super-banda para nos entretermos!
Gosto particularmente do sentimento de uma certa falta de compromisso a longo prazo para com o projecto – apenas bons músicos a criar boa música, será que encontramos algo tão louvável a este ponto nos dias que correm?
Têm tudo para ser um sucesso comercial, não haja dúvida! Mas, penso que pela fluidez demonstrada a cada tema deste álbum se demonstra todo o prazer que o Rock’n’Roll ainda consegue catalizar. Ao som de Them Crooked Vultures voltamos ao guitar hero de outros tempos, aqueles onde uma guitarra tinha 6 cordas e não 5 botões.
É extremamente injusto resumir esta banda a uma espécie de Real Madrid. É galáctica? Sim. Resume-se a isso? Não!
A cumplicidade entre Josh Homme e Dave Grohl é conhecida do público já á algum tempo, é sem dúvida o peso do nome Led Zeppelin (que inveja faz a muitas bandas do mundo da metalada!) que faz levantar muitas orelhinhas - confesso, também as minhas.
Um veterano de guerra como John Paul Jones não iria cair na cantiga do ladrão se não valesse a pena…
Á primeira audição parece que estamos perante uma evolução de sonoridade dos Queens of the Stone Age, os vocais estão lá para isso mesmo, nos trocarem as voltas todas! Que registo de Josh mais uma vez! Gostamos muito de referir estrelas subvalorizadas e buscar por vezes coisas do arco-da-velha – pois bem eu aqui digo, um dia este Sr. vai estar num patamar superior ao que hoje lhe é atribuído, isso vos garanto.
Um verdadeiro artista.
Hard Rock puro e duro como nem Velvet Revolver conseguiram transmitir para o novo milénio, pelo menos com Libertad ( Contraband é outra história(zinha)..).
Começaram bem. Hoje em dia, nada melhor do que uma banda se demonstrar de certa forma saudosista perante a industria e o público, dando aquilo que todos conseguimos «roubar» sem sermos apanhados. Nem todos podemos ser uns Radiohead mas a arma Youtube não foi nada mal pensada! Mais cedo ou mais tarde ia lá parar…
Passemos então para a obra feita:
O resultado de tão distinta equação poderá ser o mesmo para quem vai reconhecendo QOTSA e EODM ( Eagles of Death Metal), mas o mestre de cerimónias e a arma secreta é sem dúvida John Paul Jones, com os seus 60 e picos a transbordar de experiência e musicalidade!
A linha de baixo, por vezes subtil, cria toda a dinâmica do grupo. Robert Page e Jimmy Page ocupavam demasiado espaço em palco para dar a especial atenção ao elemento que parecia ser o mais dispensável dos LZ… Quem me dera ser assim tão dispensável!
Por exemplo, «Reptiles», demonstra todo um resultado de anos e anos de experiência e evolução do antigo projecto do Sr. Jones.
Dave Grohl por sua vez relembra os tempos áureos de Nirvana a abrir a década de 90 cheio de energia contagiante na ponta das baquetas. O Som seco, sujo, aparece desta vez mais trabalhado e contido mas sem envergonhar um John Bonham. Certamente uma referencia neste álbum.
«No One Loves Me & Neither Do I» é a camisola deste álbum homónimo. O compasso de espera marcado pela bateria abre caminho a um tema bem groove e de certa forma psicadélico criando todo um imaginário para o rumo que o álbum irá levar…
Sente-se um Dave «nervoso», com vontade de explodir – seja feita a sua vontade!
Uma batida pesada no ponto, um bom riff sem pressas… lembram-se de «Kashmir»? Apliquem isso ao novo milénio…
«Mind Eraser, No Chaser» é o primeiro momento mais dançável, mais old-school rock’n’roll sem espinhas! Um dos meus temas favoritos, onde Josh e Dave se encontram em sintonia perfeita. O registo vocal de ambos é de facto um Ying e um Yang genuíno. A complexidade dos temas não os obriga necessariamente a uma progressividade forçada e penso que este seja o grande segredo na qualidade deste Them Crooked Vultures. Ainda é possível fazer temas memoráveis com menos de 5 minutos!!
«New Fang» faz bater o pé, Josh ao longe (efeitos) consegue nos chegar ao ouvido, num blues-rock bem saudável. Que tema rasgado, belo, trabalhado mas no entanto fluído.. Haveria um melhor single de apresentação?!
«Dead Ends Friends» tem a marca de Josh, no entanto «Elephant» é todo ele um relembrar de musicas como «Rock’n’Roll» e «Black Dog». Que riff genial!! O pico do álbum para muitos, e quem sou eu para desmentir?! E já que estamos numa de nostalgia, aproveita-se a onda e entramos num modo anos 70/80, pegamos na nossa air-guitar e curtimos ao som de «Scumbag Blues»- descomprometido num tom perfeitamente genial.
É de realçar que denota-se uma certa falta de Foo Fighters dentro do álbum, será mais cliché dizer o contrário do que outra coisa. O que é certo é que o grupo de Dave Grohl tem tido uma certa dificuldade em encontrar o rumo doutros tempos áureos, e não comerciais como os mais recentes – repare-se que eles eram um exemplo perfeito do ponto de equilíbrio!
Será que encontramos o derrotado deste projecto? Dave Grohl a marcar pontos com Probot, Desert Sessions e agora Them Crooked Vultures…
O ritmo cativante das primeiras 8 musicas é repentinamente cortado por um intervaldo («Interlude With Ludes») que me pergunto a cada audição: até que ponto é um contributo para este álbum? Cria expectativa…Ou pela primeira vez a vontade de carregar no botão para o próximo tema…
O título reduzido «Warsaw or the first breath you take after you give up» é a camuflagem dum dos temas onde o baixo de John Paul Jones se destaca. Um acelerar subtil de ritmo num quebra compasso total a meio da música faz-nos crer que este tema poderá ser daqueles a que nos referimos como mágicos nos concertos ao vivo. O instrumental prova a qualidade e a experiência do trio. É aqui que reconhecemos algo de muito especial neste projecto.
As influências mais recentes, são denotadas em «Caligulove» e «Gunman», num registo mais a tender para certas bandas influentes da ultima década em terras de Sua Majestade. Sente-se uma certa quebra inexplicável, a diferença dum 5/5 para um 4/5…
«Spinnig in Daffodils» faz-me relembrar Scott Weiland (Stone Temple Pilots, Velvet Revolver) em registos como «Vasoline» onde tende em enrolar a voz de uma forma mais sensual do que rasgada, contida no ponto. Um tema que transpira sex appeal.
O trio despede-se numa espécie de marcha… Metemos o modo replay e consumimos mais uma vez a maravilhosa e catchy «No One Loves Me & Neither Do I». Nunca soou tão bem dizer tal frase!
Que álbum fantástico, certamente uma das prendas de Natal que não irá desiludir pela certa!
Não reúne o melhor de cada elemento, mas a sua comunhão faz deste um álbum mais do que conseguido neste final de década! Sem dúvida, um dos projectos mais interessantes dos últimos tempos.
Muitos discutem sobre o TGV no nosso país, eu já só pedia TCV !
1- No One Loves Me & Neither Do I
2- Mind Eraser, No Chaser
3- New Fang
4- Dead End Friends
5- Elephants
6- Scumbag Blues
7- Bandoliers
8- Reptiles
9- Interlude With Ludies
10-Warsaw or the First Breath You Take After You Give Up
11-Caligulove
12-Gunman
13-Spinning in Danffodils
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