
Os fans da banda estavam expectantes quanto ao seguimento que a banda poderia optar face ao destino trágico do mítico LeRoid Moore.
Uma banda conhecida pela qualidade, muito acima da média, num género que tinha tudo para se tornar «pastilha-elástica» de comer e deitar fora. Nunca o foram, e um curriculum com «Ants Marching», «Two Step», «#41» entre muitas outras que poderia referir prova isso mesmo.
Este álbum é alegre, uma celebração de vida e não um luto perante a morte. É a paixão pela música que dita o verdadeiro, e merecido, tributo ao eterno colega.
Desta vez apresentam-se num registo mais leve no que toca aos conhecidos solos e introduções podendo afirmar que se trata dum dos registos mais populares da banda como o single «Funny the Way it Is» com ritmos e quebras como só o sr. Dave Matthews consegue. É genial como consegue apresentar um contra-senso de ideias como a fome e a gula e mesmo assim torná-la leve e despreocupada.
As baladas ao género «Satellite» não ficam á frente duma emotiva« Lying in the Hands of God» que consegue criar aquele arrepio na espinha como só os grandes músicos conseguem criar.
«Shake me Like a Monkey» é dos melhores air-drum da música pop-rock dos últimos tempos, o ritmo é mais do que dançável e contagiante! Dave Matthews num dos seus melhores registos.
É de registar mais uma vez o peso do baterista – sim eu sei que o sr. Poderia ficar ofendido – refiro-me obviamente ao empenho claramente vísivel no trabalho de cada tema, os tempos são por vezes rápidos mas consegue sempre arranjar uma lacuna para deixar o seu toque pessoal - um dos melhores da actualidade – bravo sr. Cárter!
Temos o tributo - «Why I Am» - Não se trata dum «Gravedigger» em termos sonoros, pelo contrário, como disse anteriormente trata-se dum tema rítmico cheio de vontade de explodir em palco, como grande parte dos temas deste Big Whiskey and the GrooGroux King.
«Dive in» é melancólica, dá para ganhar folgo mas sem perder aquela vontade de continuar a viagem pela estrada ao som destes rapazes que já conquistaram o carinho do público português – custou mas valeu a pena!
Num aspecto que Dave Matthews Band sempre se distinguiu do resto das bandas foi na capacidade de conseguir criar momentos emocionantes e de magia pura em directo nos seus concertos, em que cada elemento tem a honra de brilhar. Quem não se lembra dos solos de Baixo no Central Park? «Spaceman» volta a dar ênfase á linha de baixo. Um tema mais contido que acaba com uma entrada de banjo a antecipar o que poderá acontecer em palco…
«Squirm» entra a “gemer”, o folgo parece quebrar, ao longe a guitarra inconformada antecipa algo épico. Isto é Dave Matthews Band! Um tema que não pretende agradar como possivelmente os dois primeiros pretendem mas que consegue captar em sintonia a banda na sua totalidade, o break final é genial – a banda que se atreve a fazer versões de «All Along the Watchtower» não perdeu o jeito de forma alguma. Pelo contrário. Este é o tema mais progressivo do álbum, e justifica-se. Mágico.
O estilo sulista é retratado da melhor forma em «Alligator Pie», o Banjo encaixa muito bem mesmo. Um tema para fazer a festa e relembrar a todos que este álbum não é insonso mas cheio de picos altos!
Ironicamente «Seven» apresenta-se na 10ª posição da grelha do alinhamento deste Big Whiskey. A sua estrutura é algo linear, um «Shake Me Like a Monkey» mais contido mas igualmente maravilhoso. Menos energético, mas mais rítmico, dançável.
Um dos momentos mais inesperados desde álbum é sem dúvida «Time Bomb». Que bomba sem dúvida. O rastilho é sereno, introspectivo, a calma antecede a tormenta. Que estrondo! Que vontade de rebentar! Muito boas bandas de rock pesado andam por aí sem um único momento de energia pura como o break final deste tema- belo e estrondoso. Dave certamente andou a cházinhos o resto do dia…
O que mais estará para vir? - poderá o ouvinte estreante pensar. A Harmonia de «Baby Blue», uma banda sonora para aqueles momentos de silencio que dizem tudo. Um momento de inspiração. Um momento de paixão.
«You & Me» está longe do sucesso dum certo tema pop com o mesmo título que muito rodou nas rádios. No entanto, dá continuidade ao tema anterior, assim como «Write a Song» – mais trabalhadas e num formato mais apelativo, sem dúvida, mas nunca tropeçando na sonoridade da banda.
A despedida cabe a «Corn Bread», mais uma vez com o banjo a provar uma certa importância pouco vulgar nos dias que correm. Um tema de qualidade mas de certa forma sem o risco demonstrado nem o espírito de aventura doutros tempos. Onde andam os «Tripping Billies» ou os «Jimi Thing» de outros tempos? Dave Matthews Band demonstram-se algo carentes de clássicos, mas crescentes num panorama de visibilidade e de procura de novos rumos na carreira.
Estava na hora de se afirmarem, e se ainda havia dúvidas, foram tiradas- GrooGroux é uma nova oportunidade para quem ainda não se tinha apaixonado com esta banda fantástica.
1- Grux
2- Shake me Like a Monkey
3- Funny the Way It Is
4- Lying in the Hands of God
5- Why I Am
6- Dive In
7- Spaceman
8- Squirm
9- Alligator Pie
10-Seven
11-Time Bomb
12-Baby Blue
13-You and Me
14-Write a Song
15-Corn Bread
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