segunda-feira, 8 de março de 2010

MGMT - Oracular Spectacular (2007)


Na recta final de 2007 surgia o álbum que abalou as listas de melhores de 2008 ironicamente. MGMT, ou Management como muitos na dúvida os citavam, apareciam ao grande público com este inovador Oracular Spectacular, repleto de camadas de sons muito próprios, na descoberta de todo um novo rumo na música indie moderna.
A sua música puxa para o psicadelismo, para uma pop fundamentada em sintetizadores sem cair na tentação do mainstream de consumir e deitar fora.
Fortemente aplaudidos, estes hippies dos tempos modernos oferecem um leque de energia dançável misturado em temas de melancolia e de uma introspectiva total. São temas envolventes, sem serem progressivos demais para se tornarem algo monótonos e aborrecidos, pelo contrário.
De Brooklyn para o mundo, «Time to Pretend» foi o primeiro single que sem dúvida alguma levantou poeira… Um tema mais do que arriscado para o formato single, e a sua passagem na rádio nacional é algo que ainda hoje me faz alguma confusão, visto que se mistura com artistas e musicas que tem o único intuito de vender a curto prazo.
Este é o preview mais do que perfeito para todo o álbum. A brincadeira de sons e de samples mistura-se na guitarra e no órgão num tema de camadas que nos faz viajar na maionese… o Estereotipo da estrela de Rock é o tema, a voz cristalina de Andrew VanWyngarden encaixa na perfeição ao tom da música. Sem cair em exageros, é das músicas mais bem conseguidas dos últimos anos no panorama indie electrónico.

«We'll choke on our vomit and that will be the end.
We were fated to pretend.»

Um futuro clássico da banda que ainda só nos presenteou com este álbum de estreia.

«Weekend Wars» demonstra-se menos «boa onda» e entra numa onda mais politica, e não fossem eles os hippies do Séc.XXI, numa de pacifistas.

«Was I? I was to lazy to bathe
Or paint or write or try to make a change.
Now I can shoot a gun to kill my lunch
And I don't have to love or think too much»

Mais progressivo que o anterior, este tema dá uma maior importancia à bateria que monta o ritmo como maestro de efeitos em espiral. Um tema que não fica nada atrás de alguns temas de Arcade Fire.
Mais sentida que a celebração anterior, demonstra uns MGMT mais conscientes, algo que ganha muito peso nos géneros mais alternativos. A perspectiva do artista reflecte muito a sua música.
«The Youth» é o tema que podemos apontar como a balada do álbum por assim dizer. Um hino á mudança e um apelo, não só aos jovens mas a todos.
Um momento mais descontraído e chill-out, entra no ouvido e espalha-se pelos músculos do corpo. Relaxante e cheio de pequenos pormenores que entram no nosso canal auditivo e que funcionam como pequenas doses de analgésicos. O estado de dormência é selo de garantia.
De seguida o momento alto do Álbum. Dando um seguimento perfeito a «Youth», este título reflecte toda a música. «Electric Feel» é dos melhores temas que tenho ouvido nos últimos anos. É única! Isto é MGMT no seu melhor!
Desde Pink Floyd que os sintetizadores e o efeito psicadélico não eram tão bem trabalhados!
Temos que ter consciência que tratam-se de dimensões bastante diferentes, mas estes rapazes que se juntaram na faculdade para fazer “barulho” estão a abrir caminho para toda uma nova vaga de esperança na música moderna.
O baixo vai buscar referências ao Funk praticado na ultima década, e os efeitos levam-nos a Woodstock ’69 onde certamente fariam sucesso no meio de tantos apologistas da criação do dr. Hoffman.
A sequência final é das mais celebradas ao vivo e percebe-se bem o porquê. Fechem os olhos e deixem-se levar.
Sem parar, o momento mais reconhecido nos dias que correm. Um terceiro single que apenas deixa uma dúvida: porquê terceiro?!
O sucesso foi instantâneo - «Kids» ficou conhecido como banda sonora de um jogo mas também como sendo obrigatória em tudo o que é pistas de dança pelo mundo!
O ritmo é um contra senso para com a letra. Um ritmo mais acelerado que os restantes temas demonstra uma capacidade única de animar a malta! Bate-se palmas, salta-se , dança-se, bate-se o pé, fazemos figuras tristes – acabaram-se as monótonas e ridículas danças de engate, ao som de «Kids» faz-se a festa!
«4th Dimensional Transition» traz algo de novo ao álbum. Uma experiencia mais “espanholada” na guitarra num ritmo alucinante na percussão da bateria. Este tema faz-me lembrar as bandas-sonoras de filmes de Quentin Tarantino, que são tudo menos óbvias. Um tema que lembra os picos dos anos 70… Sintam-se perdidos num Final Fantasy…
«Pices of What» parece caído por acaso na sequência. A guitarra acústica dita um momento mais cru deste Oracular Spetacular. Retomando o ritmo mais acelerado de outros temas, «Of Moons, Birds & Monsters» poderia fazer parte do leque de músicas escolhidas para single.
Uma música bem experimental e progressiva que tira todas as dúvidas que se poderia ter até á altura sobre este álbum. Complicado de se ouvir e gostar nas primeiras audições, soa muito “avant-garde” . E se o álbum em vez de composições simples tivesse seguido por um prisma menos funcional?
«The Handshake» vai buscar um sample base que soa algo a Daft Punk do tempo do Electroma , no entanto, é com a baqueta a embater na bateria que este tema ganha o impacto esperado...e pelo que parece, havia uma nave a pairar o estúdio na altura..
Tal como «Weekend Wars» este tema é cheio de revolta, e de uma politização visível. Um descontentamento sobre o estato das coisas e do mundo que nos rodeia.
Na despedida « Future Reflections» demonstra-se mais indie rock do que outros temas anteriores, será este o futuro dos MGMT?
No final do álbum ficamos com a ideia que falta algo a complementar estes 40 minutos de Oracular Spetacular, será que a magia do álbum passa por aí? Talvez.
Um álbum merecedor de todo o aplauso da crítica que cada vez mais se depara com menos inovação. MGMT é perfeito para quem procura algo de novo, de experimental, de psicadélico , algo que retome de forma futurista os anos 70.


1- Time to Pretend
2- Weekend Wars
3- The Youth
4- Electric Feel
5- Kids
6- 4th Dimensional Transition
7- Pieces of What
8- Of Moons, Birds & Monsters
9- The Handshake
10- Future Reflections

domingo, 7 de março de 2010

Dave Matthews Band – Big Whiskey and the GrooGroux King (2009)


Os fans da banda estavam expectantes quanto ao seguimento que a banda poderia optar face ao destino trágico do mítico LeRoid Moore.

Uma banda conhecida pela qualidade, muito acima da média, num género que tinha tudo para se tornar «pastilha-elástica» de comer e deitar fora. Nunca o foram, e um curriculum com «Ants Marching», «Two Step», «#41» entre muitas outras que poderia referir prova isso mesmo.

Este álbum é alegre, uma celebração de vida e não um luto perante a morte. É a paixão pela música que dita o verdadeiro, e merecido, tributo ao eterno colega.
Desta vez apresentam-se num registo mais leve no que toca aos conhecidos solos e introduções podendo afirmar que se trata dum dos registos mais populares da banda como o single «Funny the Way it Is» com ritmos e quebras como só o sr. Dave Matthews consegue. É genial como consegue apresentar um contra-senso de ideias como a fome e a gula e mesmo assim torná-la leve e despreocupada.

As baladas ao género «Satellite» não ficam á frente duma emotiva« Lying in the Hands of God» que consegue criar aquele arrepio na espinha como só os grandes músicos conseguem criar.
«Shake me Like a Monkey» é dos melhores air-drum da música pop-rock dos últimos tempos, o ritmo é mais do que dançável e contagiante! Dave Matthews num dos seus melhores registos.

É de registar mais uma vez o peso do baterista – sim eu sei que o sr. Poderia ficar ofendido – refiro-me obviamente ao empenho claramente vísivel no trabalho de cada tema, os tempos são por vezes rápidos mas consegue sempre arranjar uma lacuna para deixar o seu toque pessoal - um dos melhores da actualidade – bravo sr. Cárter!

Temos o tributo - «Why I Am» - Não se trata dum «Gravedigger» em termos sonoros, pelo contrário, como disse anteriormente trata-se dum tema rítmico cheio de vontade de explodir em palco, como grande parte dos temas deste Big Whiskey and the GrooGroux King.

«Dive in» é melancólica, dá para ganhar folgo mas sem perder aquela vontade de continuar a viagem pela estrada ao som destes rapazes que já conquistaram o carinho do público português – custou mas valeu a pena!

Num aspecto que Dave Matthews Band sempre se distinguiu do resto das bandas foi na capacidade de conseguir criar momentos emocionantes e de magia pura em directo nos seus concertos, em que cada elemento tem a honra de brilhar. Quem não se lembra dos solos de Baixo no Central Park? «Spaceman» volta a dar ênfase á linha de baixo. Um tema mais contido que acaba com uma entrada de banjo a antecipar o que poderá acontecer em palco…

«Squirm» entra a “gemer”, o folgo parece quebrar, ao longe a guitarra inconformada antecipa algo épico. Isto é Dave Matthews Band! Um tema que não pretende agradar como possivelmente os dois primeiros pretendem mas que consegue captar em sintonia a banda na sua totalidade, o break final é genial – a banda que se atreve a fazer versões de «All Along the Watchtower» não perdeu o jeito de forma alguma. Pelo contrário. Este é o tema mais progressivo do álbum, e justifica-se. Mágico.

O estilo sulista é retratado da melhor forma em «Alligator Pie», o Banjo encaixa muito bem mesmo. Um tema para fazer a festa e relembrar a todos que este álbum não é insonso mas cheio de picos altos!

Ironicamente «Seven» apresenta-se na 10ª posição da grelha do alinhamento deste Big Whiskey. A sua estrutura é algo linear, um «Shake Me Like a Monkey» mais contido mas igualmente maravilhoso. Menos energético, mas mais rítmico, dançável.

Um dos momentos mais inesperados desde álbum é sem dúvida «Time Bomb». Que bomba sem dúvida. O rastilho é sereno, introspectivo, a calma antecede a tormenta. Que estrondo! Que vontade de rebentar! Muito boas bandas de rock pesado andam por aí sem um único momento de energia pura como o break final deste tema- belo e estrondoso. Dave certamente andou a cházinhos o resto do dia…

O que mais estará para vir? - poderá o ouvinte estreante pensar. A Harmonia de «Baby Blue», uma banda sonora para aqueles momentos de silencio que dizem tudo. Um momento de inspiração. Um momento de paixão.
«You & Me» está longe do sucesso dum certo tema pop com o mesmo título que muito rodou nas rádios. No entanto, dá continuidade ao tema anterior, assim como «Write a Song» – mais trabalhadas e num formato mais apelativo, sem dúvida, mas nunca tropeçando na sonoridade da banda.

A despedida cabe a «Corn Bread», mais uma vez com o banjo a provar uma certa importância pouco vulgar nos dias que correm. Um tema de qualidade mas de certa forma sem o risco demonstrado nem o espírito de aventura doutros tempos. Onde andam os «Tripping Billies» ou os «Jimi Thing» de outros tempos? Dave Matthews Band demonstram-se algo carentes de clássicos, mas crescentes num panorama de visibilidade e de procura de novos rumos na carreira.
Estava na hora de se afirmarem, e se ainda havia dúvidas, foram tiradas- GrooGroux é uma nova oportunidade para quem ainda não se tinha apaixonado com esta banda fantástica.


1- Grux
2- Shake me Like a Monkey
3- Funny the Way It Is
4- Lying in the Hands of God

5- Why I Am
6- Dive In
7- Spaceman
8- Squirm
9- Alligator Pie
10-Seven
11-Time Bomb
12-Baby Blue
13-You and Me
14-Write a Song
15-Corn Bread

quarta-feira, 3 de março de 2010

Alice in Chains - Dirt (1992)


Layne Stanley partiu mas os Alice in Chains ficaram. No entanto, é da homenagem ao passado que eles sobreviviam até á bem pouco tempo com o lançamento de Black Gives Away to Blue. Dirt é uma das razões pelo qual os fans ainda celebram os tempos áureos da banda de Seattle.
Tinhamos Nirvana com Nevermind, Soundgarden com Superunknown , Stone Temple Pilots com Core ,0 Pearl Jam com Ten e claro, Alice in Chains com este álbum. No conjunto estes tornaram-se pilares de todo um género e de toda uma geração de jovens alienados. Um pós-punk que buscava os temas mais sombrios para enaltecer a sua raiva.
Este álbum ao contrário dos restantes, é baseado em riffs mais pesados e menos concentrado na velocidade dos temas. O som característico dos Alice in Chains passa muito pela guitarra de Jerry Cantrell que para além de compor, escreveu as letras que ficariam eternamente ligadas á voz de Stanley.
É um álbum confuso e possivelmente depressivo, nada simples. É um álbum sentido e das melhores camisolas do grunge.
Ao som de um clássico, «Them Bones» abrem-se as hostilidades… Demonstra um ritmo algo acelarado para o que a banda nos habituou ao longo da carreira, no entanto é dos temas mais celebrados ao vivo e compreende-se bem o porquê.
“Bad dreams come true” é apenas uma passagem da composição do mítico líder e guitarrista Jerry Cantrell que fala de todo um medo pelo que vêem ,ou não num pós-vida, ou se preferirem, morte. O Riff é dos mais importantes. O Solo é algo de genial, tal como o refrão, é um grito sentido, um rasgo de emotividade.
Num momento mais directo e despreocupado, «Tham That River» dá a conhecer uma briga com Sean Kinney, baterista da banda. O tom de voz é elevado, puxando pelas cordas vocais de Stanley . Esta vem arranhada bem á 90’s…Perfeita. Directa e sem rodeios, esta música demonstra uma combinação perfeita entre os riffs do guitarrista, o choque de pratos de Sean Kinney e o peso do baixo de Mike Starr.
Este último dá início ao tema que se segue. Cheio de distorção, e algum psicadelismo pingado em gotas de Heavy Metal. Cabe ao baixo toda a tonelada de peso deste tema sentido agora, depois da morte do vocalista. « Rain When I Die» apresenta créditos divididos entre as duas caras famosas da banda à altura. Para muitos um dos melhores momentos vocais.Este é o único tema composto na totalidade da banda.
Marcado pelos contratempos e pelos melhores breaks de bateria do álbum, «Sickman» revela um trabalho de produção fantástico. “What a hell am I?!” é mais um exemplo do sentimento alienado, pondo tudo em causa.. O mundo dos Alice in Chains é feito de correntes, como o nome indica, e a heroína é como sabemos uma delas, possivelmente uma referência ao estilo de vida complicado do vocalista e referente à sua dependência. É bonito e medonho, aterrador por vezes, este tema seria possivelmente um aviso para o fim trágico, já algo anunciado de Layne Staney.
«Rooster» é completamente arrebatador…
A introdução é calma e feita de certa forma envolvente. Esta é uma homenagem sentida ao pai de Cantell. Uma brecha de esperança ilumina todo um álbum envolvido em sentimentos de depressão. Deixando o rock mais directo, esta retrata mais uma power ballad envolvida num trabalho de riffs e de solos minuciosos mas onde os carris são sem dúvida as linhas de baixo de Starr.
«Junkhead» retoma os riffs ao estilo Seattle, numa sequência que se assemelha a algo como um «In Bloom» da banda de Kurt Cobain em Delay e em baixo-tempo… Tommy Iommi certamente gostará de ver o seu trabalho reconhecido quando se verificam referencias claras a Black Sabbath na composição deste tema. Pesado no que toca aos riffs poderosos que muito se assemelham aos dos criadores de «Iron Man», extremamente influente na formação do guitarrista dos Alice in Chains.
«Dirt» é como os ingleses dizem: Bad-Ass. Mais uma vez a temática do vício perdido na heroína. Layne torna-se cada vez mais consciente da sua situação. O Riff inicial é diferente de tudo e chama a atenção pelos seus efeitos de delay. Em ritmo baixo este é um dos temas mais sentidos do álbum, e não é por acaso que dá o nome à capa. “You…you are so special..”
Um dos temas mais subvalorizado da carreira da banda.
«God Smack» encaixava com certa facilidade num álbum de Stone Temple Pilots, o tom de voz está extremamente parecido com o de Scott Weilland, assim com o registo musical a tender para algo mais melódico em termos vocais e mais hard-rock no que toca ao excelente trabalho do baterista. Até os solos em ponte fazem relembrar alguns géneros alternativos ao grunge na altura…A banda Godsmack retirou deste tema o seu nome, mas isso pouco importa.
«Iron Glam» dá um toque humorístico á coisa. Tom Araya dos Deuses do Trash-Metal, os pesados Slayer, foi convidado para celebrar um dos riffs que fiz referência anteriormente - «Iron Man». Este era constantemente tocado pelo guitarrista para desespero da banda. Como tal decidiram incluir este efectuar uma pequena troca de palavras…
«Hate to Feel» abre o seguimento mais pesado do álbum, fazendo de certa forma relembar uma espécie de Led Zeppelin mas com uma carga negativa acrescida. Esta retrata a relação pai e filho, contado na primeira pessoa por Layne Stanley , também ele filho de um pai “agarrado” á heroína. Algo que viria a ditar toda a sua vida.
«Angry Chair» é o momento mais pesado, quase 5 minutos de headbanging cheio de grandes momentos convertidos através das baquetas de Kinney. “I Don’t mind….”
A letra é mais uma vez um grito de revolta. O baixo marca uma linha a puxar para um Metal algo alternativo, um pouco na onda black-metal… Atenção mais uma vez para a produção na voz de Layne Stanley.
«Down in a Hole» arrepia, do início ao fim. Há qualquer coisa neste tema que é profundo demais, que puxa por sentimentos de nostalgia, de saudade, de medo e receio. É belíssimo do inicio ao fim e a entrega da banda é total. Layne Stanley eternizou este momento, tal como Kurt Cobain o fizera com o “ultimo olhar” («Where Did You Sleep Last Night?) no famoso programa MTV Unplugged.
Hoje em dia, já sem o vocalista presente, este tema é cantado de lágrima nos olhos por milhares de fans pelo mundo fora como se um tributo se tratasse.
O momento mais calmo do álbum, porventura mais deslocado, no entanto a perfeição cria a desculpa mais do que necessária.
«Would» termina da melhor forma. A introdução de baixo é possivelmente a melhor do género, o tom sombrio do tema e o rasgo no refrão é simplesmente arrebatador. Qualquer fan do rock dos anos 90 fica arrasado com este tema. Esquizofrénico, doentio, depressivo.
Cabe a Cantrell os versos, que ecoam na cabeça, de rompante entra Stanley num dos melhores momentos da carreira dos Alice in Chains.
É a relembrar o final trágico de Andrew Wood dos Mother Love Bone, vítima de overdose de Speed-balls (uma mistura bombástica de Heroína e Cocaína) que se chega a este incrível tema. Curiosamente
é "graças" a este acontecimento que o mundo teve a honra de conhecer os Temple of a Dog que juntava Chris Cornell a Eddie Vedder e ao que viria a ser os Pearl Jam mais tarde.

«Into the flood again
Same old trip it was back then
So I made a big mistake
Try to see it once my way»

São versos em tom de desespero.
Ironicamente a pergunta ficou no ar:

«If I would, could you?»

Para além do cheque mais chorudo da banda, este álbum reflecte um pouco a alma introspectiva e alienada dos Alice in Chains. Reflecte também a essência do Grunge. Dirt é mais do que uma obra obrigatória na discografia dos últimos 20 anos.


1- Them Bones
2- Dam That River
3- Rain When I Die
4- Down in a Hole
5- Sickman
6- Rooster
7- Junkhead
8- Dirt
9- God Smack
10- Untitled
11-Hate to Feel
12-Angry Chair
13-Would?

terça-feira, 2 de março de 2010

Red Hot Chili Peppers - Californication (1999)


Red Hot Chili Peppers são um fenómeno de originalidade e de sucesso incontestável. O seu rock puxa pelo funk , pelo punk e até mesmo por algum psicadelismo. O baixo ganha novos contornos nas mãos do super- Flea , a guitarra ganha um novo toque cristalino nas mãos de John Frusciante e tudo fica espectacular na voz do furacão Anthony Kiedis .
Californication é a prova de tudo isso.
É no final da década de noventa que os RHCP se cimentam como músicos reconhecidos mundialmente. Depois de temas de grande sucesso como «Give it Away» e «Suck My Kiss», e muito graças ao hino dos tempos modernos - «Under the Bridge»- todos eles temas do fantástico Blood Sugar Sex Magic , a banda «sai-se» com este fenómeno de vendas numa reunião de músicas todas elas pré-datadas como possíveis singles!
Entretanto tinham passado qualquer coisa como 8 anos. Frusciante tinha abandonado o barco em 92, sendo substituído por Dave Navarro, hoje um autentico jet-set da cultura MTV, conhecido na altura pelo trabalho nos Janes Addiction.
One Hot Minute intervalou esses aninhos mas o resultado não agradou aos fans e muito menos á banda. Pouco mais do que «Aeroplane» e «My Friends» se retira desse álbum.
O mítico guitarrista, Frusciante, entretanto caiu no vício da heroína que para além de ter estoirado a sua fortuna esteve muito perto de a pagar com a sua própria vida.

Californication representa a importância de uma segunda chance. Salvou-lhe a vida e salvou o futuro incerto da banda.
«Around the World» entra seco ao primeiro toque de baixo. O aviso é lançado e Flea entra de rompante numa entrada a 200 km/h. “All Around the world we can make time”, a voz de Kiedis demonstra-se melhor do que nunca, graças ao vocalista e ao incrível produtor Rick Rubin. Esta música é o primeiro passo duma futura «Can’t Stop» dando uma importância ao baixo (algo invulgar na maioria das bandas) criando um efeito alucinante que funciona às mil maravilhas nos concertos, levando o público ao delírio total. O Funk dançável dá lugar a um refrão harmonioso e orelhudo fechando com a banda em força bruta num rock’n’roll puro e duro. Já se tinha saudades de John Frusciante, e ao final do primeiro tema percebe-se bem o porquê.
Num segundo tema verifica-se um afastamento das linhas sonoras que definiam os Red Hot até á altura. «Parallel Universe» é um dos meus temas favoritos da banda, demarcado pela distorção da guitarra nos seus riffs esmagadores e seguido num pall-mute ensurdecedor na sua estrutura base. «Christ, i’m a sindewinder, I’m a California King!». O formato das músicas neste Californication está cada vez mais direccionado para o formato pop-rock de massas, mas sem baixar um cm na qualidade. Verso+refrão+verso+refrão+ solo+ refrao , elementar mas que funciona sempre, melhor que o 4-4-2.
O fade-out dá entrada a uma das introduções que faz desesperar os milhares de fans da banda. « Scar Tissue» é delicada, é límpida, é como água cristalina. Transpira o formato Fm e é perfeita para se ouvir na Marginal à beira-mar. «Scar Tissue that I wish you saw…»
A busca de duas notas algo distantes na linha da guitarra e uso visível do Slide-guitar criaram solos belíssimos e muito originais. Mudança mais do que visível nas técnicas adoptadas pelo guitarrista recém chegado pela segunda vez… O público teve uma recepção mais do que positiva e abraçou-o como um dos seus maiores sucessos de toda a carreira da banda.
Tal como o tema anterior, «Otherside» é um hino de sucesso que desabafa toda a vivência de drogas e de outros vícios ganhos ao longo da sua carreira.
Um tema que até teve desculpa para usar nas pistas de dança pelo mundo fora é no entanto um registo mais intimo que começa no acoustico mas que ganha vida ao compasso de Chad Smith na bateria. Sempre sem fugir demais ao registo, a sua técnica passa por deixar tudo bem simples e perceptível. O bater do pé é crescente até ao refrão mais do que decorado! A entrada dupla de Flea e Frusciante a entrarem no solo é feito numa simbiose total!
O back vocal do guitarrista é reconfortante e mais uma vez A. Kiedis entregasse de alma e coração.
«Get on Top» não deixa que os fans mais antigos saiam decepcionados. O Funk e o super-Flea sobressaem. “Right On…” O carimbo RHCP está posto e o selo de qualidade está mais do que tatuado. Um tema que vai buscar referencias a «Suck My Kiss». Enérgico e convidativo como só eles sabem fazer. O contraste de sons cria algo muito em conseguido.
Faith No More e Janes Addiction também foram buscar referências mais alternativas ao funk misturando no seu rock de origem, no entanto é de realçar que todos conseguiram resultados bastante distintos sendo cada um deles casos de sucesso num género ainda muito pouco explorado.
O tema título ganhou fama pelo vídeo que teve direito a “algumas” respeitosas passagens pelas televisões de todo o mundo. Aquele do vídeo-jogo diria eu…
A taça deste álbum vai de facto para John Frusciante. Mais do que viciante. Mais um hino dos trovadores da California e possivelmente dos maiores publicitários do Estado norte-americano!
«Californication» é um apelo à reflexão sobre o mundo ocidental, sobre o estado das coisas, sobre o mundo sombrio por detrás das luzes de Hollywood num mundo de referências que vai desde Kurt Cobain ao Stark Treck, visível na letra da música. Retrata um mundo de falsidade e de desespero. Arrisco-me a dizer que é a música mais bem sucedida da banda. Se não é, é certamente a que teve mais importância e peso na sua carreira e no sucesso dos RHCP.
Facilmente nos rendemos a este «Easily» que segue uma onda mais fluida rasgada numa guitarrada, “Lets get married today!” convida a banda a entrar num air-drum com Chad Smith.
Se «Scar Tissue» e «Otherside» revelam uma nova perspectiva duns Red Hot mais conscientes e maduros, «Porcelain» demonstra a entrega total. Num falsete memorável, Anthony Kiedis, eternamente lembrado com um furacão em palco, muda de registo numa melodia que faz lembrar «Something in the Way» do mítico Nevermind dos Nirvana. Se resistiu à “moda” Grunge, não resistiu a entregar-se como outrora Kurt Cobain , Eddie Vedder e até mesmo Billy Corgan dos Smashing Pumpkins o fizeram. Este ultimo era ponto de referencia perante a crítica que recebia com alguma surpresa este álbum.
«Emit Remmus» dá seguimento à linha musical de «Easily» com alguma concentração de esforços nos breaks de bateria e nos riffs de influências punk á la Iggy Pop.
«I Like Dirt» assim como «Right on Time» e «Purple Stain» demonstram as raízes da banda bem definidas, e revela vertentes mais psicadélicas, mais punks e até mesmo mais direccionadas para um hip-hop baseado num Groove Soul. Em todas as linhas de baixo montam a estrutura.
«Savior» faz lembrar o tom de Brandon Boyd dos Incubus e juntamente com «This Velvet Glove» abraça o momento mais “soft” do álbum, menos apontado para os singles de sucesso e mais focado no fluir de temas.
O punk de «Right Now» é introduzido pelo clássico dos The Clash, «London Calling», um dos riffs mais famosos vindos do Reino-Unido, no seu dvd Live in Slane Castle e pena temos nós de não ter sido gravado no álbum. Encaixe perfeito. O momento de maior loucura do álbum é contrastado pela confirmação dos dotes vocais do retornado e vencedor John Frusciante – Eternamente na memória dos portugueses pela interpretação de «How deep is your love?» dos Bee Gees em 2006…
«Road Trippin’» fecha o álbum à volta da fogueira no momento de despedida. Chad Smith dispensado da bateria pois o ritmo, como música de final de tarde que se prese á beira-mar é feita com a bela da guitarra acoustica.
A leitura que faço deste tema é mais de um lamento do passado e dum positivismo perante o futuro. As referências ao complicado relacionamento com as drogas são mais uma vez referidas, “Staying high and dry’s, more trouble than it’s worth», no entanto o convite é lançado mais uma vez, “lets go get lost”. Perder do passado que arrastou os Red Hot Chili Peppers para muito perto do abismo. Californication prova que conseguiram.


1- Around the World
2- Parallel Universe
3- Scar Tissue
4- Otherside
5- Get on Top
6- Californication
7- Easily
8- Porcelain
9- Emit Remmus
10-I Like Dirt
11-This Velvet Glove
12-Savior
13-Purple Stain
14-Right on Time
15-Road Trippin'

segunda-feira, 1 de março de 2010

Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)


No início da década de 70 nomes como Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham não eram de todo estranhos.
Até lá, temas como «Whola Lotta Love», «Ramble On», «Immigrant Song» assim como o instrumental «Moby Dick» eram reconhecidos e aplaudidos tanto pela crítica como pelo público, em especial para o fenómeno das groupies que teve o seu auge muito graças a estes icons do Hard-Rock.

Led Zeppelin IV, como hoje em dia é (re)conhecido é a confirmação perante a crítica de uma das melhores bandas de todos os tempos.
Se nos anos 90 tinhamos um Deus na guitarra chamado Slash, nos anos 70 tinhamos um autêntico Zeus no cimo do Monte Olímpo agarrado á sua Gibson Les Paul. Guitar-Hero devia ser definição de Jimmy Page.
Robert Plant por sua vez representa o futuro de um frontman que conquista não só pelo seu talento incotestável como pelo seu sex-appeal bastante apelativo para as fans.
Por outro lado, John Paul Jones representa a multi-faceta de músico. Um autêntico polivalente na banda, tendo como base o baixo e deixando para o espetacular John Bonham a responsabilidade da bateria.

Esta formação de luxo estava no auge da sua forma e de criatividade, e este álbum explica isso mesmo.
Num formato vocalista vs banda, «Black Dog» apresenta um registo bastante curioso visto que os seus tempos e o seu ritmo inconstante deu num dos riffs mais conhecidos da história do Rock.
Os créditos ao contrário do que muita gente pensa, não vão para Page mas sim para J. Paul Jones que na procura de algo mais inconstante e menos dançável criou este incrível riff que se repete intervalado pela belíssima voz de Robert Plant... ah ah ahhh humm.... Oh Yeah! Baby! Isto é Hard Rock no seu estádo Natural! Se «Immigrant Song» anunciava os primórdios do Heavy Metal, como mais tarde «Kashmir» vinha a comprovar, este tema anuncia o género que viria a ditar o futuro da música nos 20 anos seguintes...
«Black Dog» é um título algo a tender para o non-sense total, algum humor avant-guard para a altura. Consta que Robert Plant montou a sua parte em dois takes apenas...
Sem dúvida um Joker lançado na primeira jogada. O tema seguinte não dá treguas, e desta vez o mérito é mesmo de Jimmy Page.

«Rock'n'Roll». E nada melhor poderia intitular esta música! O Blues Rock, aquele que automáticamente activa o modo swing, é mais do que visível! «Its been a long time since I rock'n'roll!!» enaltece o vocalista.
A voz de Robert Plant está simplesmente perfeita e a linha de baixo monta toda uma estrutura que relembra passagens entre os anos 50 e 60 onde os Led Zeppelin foram buscar referências.
Boham não dá descanso aos pratos da bateria, mas quem é rei e senhor é mesmo Page... Os seus riffs são viciantes e perfuram o nosso canal auditivo sem qualquer tipo de aviso. O corpo responde numa tentativa de air-guitar, simplesmente fantástico.

Estão familiarizados com o bandolim? É uma espécie de cavaquinho usado normalmente em temas mais folk, algo mais liguado á música tradicionalmente nórdica... algo que tradicionalmente nenhuma banda de grande estatúto usa...
Pois bem, os Led Zeppelin deram-se ao luxo de arriscar neste «The Battle of Evermore». Desligaram os amplificadores e agarraram-se a um som mais "natural" optando por seguir viagem em acoustico...
Um tema que possívelmente serviu de inspiração a bandas como Blind Guardian, eternos perseguidores das fábulas fantásticas onde duendes viram heróis na luta contra dragões e afins...
Recorde-se que nessa altura já o Tolkien tinha feito das dele, mesmo sem o Orlando Bloom...

Confesso que escolhi este álbum por este momento em concreto. Se é difícil escolher uma banda para entregar o prémio de melhor de todos os tempos, pior ainda fica a situação quando se procura o melhor tema de todos os tempos. O mais completo, influente , espetacular...
A minha escolha é este 4º tema deste 4º álbum de estúdio dos Led Zeppelin. Sem surpresa, «Stairway to Heaven» seria a minha escolha.
Se este tema fosse um livro seria uns' Lusíadas ou uma Odisseia.

O que haverá para dizer para além do que já fora dito ao longo de 40 anos?! Trata-se de um dos temas mais progressivos da banda, moldado por fases, tempos e tons diferentes ao longo do seu percurso.Um tempo que se constroi a pouco e pouco tornando-se cada vez mais involvente.
Uma primeira introdução demonstra os acordes a acoustico de Page num dos seus melhores momentos de criatividade.
Cada nota que saí parece criar uma atmosfera de espectativa...
Da flauta saíem notas que relembram da idade mediavál uma serenata.

«There's a lady who's sure,all that gliters is gold and she is buying a stairway to heaven...»

Ao som das primeiras palavras de Plant a rendição é inevitável. Muitos dirão que o sucesso deste tema passa mesmo por não ter sido single. Outros vão buscar o interesse do público no suposto verso satânico encotrado se ouvirmos a música de trás para a frente... o que é certo é que este fora o tema mais requesitado nas rádios pelo público dos anos 70, assim como pelas editoras que viam neste tema diamante em bruto. De forma a proteger os interesses da banda e do projecto em si ( a totalidade do álbum IV) isso nunca aconteceu. A magia reside na mesma.

«If There's a bustle in your hedgerow
don't be alarm now
it's just a spring clean
from the May queen»

É o mote da polémica que ainda hoje faz as delícias através do youtube.

O ritmo aumenta, este é o Hino.
O rasgo de loucura dum rock extravagante é sentido a meio do tema que rebenta com as colunas e bombeia o coração mais rápido do que o recomendável. Jimmy Page no seu melhor. Ao vivo para sempre lembrado com a sua double-neck da Gibson EDS, isto sim é um guitarrista!
Num dos melhores solos de sempre da história do rock, o guitarrista dos Zeppelin não poupa ninguém os outros elementos não se deixam ficar para trás.

«Mistin Mountain Hope» retoma o ritmo mais dançável, curiosamente mais funk... Uma referencia ao consumo dos ditos cigarritos para rir segundo alguns "interpretes" mas o que é certo é que se trata de um grande momento entre o baixista John Paul Jones e o baterista John Bonham. «Four Sticks» é reconhecida pelo uso de 4 baquetas na bateria e pela extrema difículdade que a banda teve em gravar este tema incrivelmente mágico. A subtileza destes ultimos temas contrasta com a garra dos primeiros.
No entanto é de reparar que este riff têm algumas semelhanças com o de «Rock'n'Roll».

«Going to California» é mais um grande momento graças aos dotes vocais de Plant que retoma o estilo folk que demarcava o 3º tema do álbum.

Os Led Zeppelin despeden-se deste àlbum clássico curiosamente com uma cover de Kansas Joe McCoy and Memphis Minnie, «When the Levee Breaks» que se destaca pelo trabalho de bateria de Bonham que marca o ritmo da música com o volume um pouco mais elevado deixando que a guitárra de Page se ouça mais ao longe dando destaque aos vocais que se demonstram capazes de efectuar mudanças de verso a verso com rasgos que caracterizam a banda e que se distinguem de tudo o resto.
Led Zeppelin no seu melhor.

1- Black Dog
2- Rock and Roll
3- The Battle of Evermore
4- Stairway to Heaven
5- Misty Mountain Hop
6- Four Sticks
7- Going to California
8- When the Levee Breaks

Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)


Pink Floyd é sinónimo de qualidade, de distinção, de megalómania, de inovação e de originalidade.
Numa palavra eu diria únicos. Será sempre um risco elaborar tabelas qualitativas pois serão eternamente subjectivas, mas se me perguntassem qual a melhor banda de todos os tempos eu responderia o seu nome.
A sua impressionante discografia e invejável carreira ditam isso mesmo. The Dark Side of the Moon dita os números que o comprovam.
Este é simplesmente o 2º álbum mais vendido da história, apenas ultrapassado pelo recordista de vendas Thriller do rei da pop. Mais impressionante (se isso é possível) é o facto de este ter permanecido nos «charts» qualquer coisa como 741 semanas! Desde 1973 a 1988! Resultado? Uns impressionantes 45 000 000 discos vendidos!

Dos estudios de Abbey Road, eternamente ligados ao quarteto fantástico de Liverpool, os Beatles, saiu este pico na história dos Pink Floyd de David Guilmor, Roger Waters, Rick Wright e e Nick Manson.
Posterior ao muito progressivo Meddle, que explorou caminhos ainda hoje algo confusos mas eternamente fascinantes, Roger Waters sentiu que algo devia mudar. As palavras tinha de chegar ás pessoas de uma forma mais directa.

«Speak to Me» é uma espécie de introdução ao álbum passando, através de pequenos pormenores e efeitos sonoros, por certos pontos do álbum. O toque psicadélico e progressivo é fácilmente perceptível logo à primeira audição. O efeito transe é resultado da mestria demonstrada pelo falecido Rick Wright nas teclas e no uso divinal que os Pink Floyd deram aos sintetizadores.
Provando que a música não têm barreiras, e que a sua mensagem vai para além do empreendorismo hippie atravessando momentos de autêntica Filosofia, este tema com duas frases apenas anuncia uma epopeia de outro Universo.

«I've been mad for fucking years, absolutely years. I've been over the edge of yonks. Been working me buns off, 'till i went crazy...
I've always been mad, I know I've been mad, like the most of us are. It's very hard to explain why you're mad, even if you're not mad.»

Dá-se o primeiro suspiro e entra-se na nova dimensão. Na dimensão do abstrato mundo dos Pink Floyd.
O uso do slide guitar envolve-nos de forma a cair num mundo de dormencia total... o cérebro é bombardeado por sons e efeitos que estes criam na sua audição. O background psicadélico deu lugar a um sentimento algo budista, chegamos ao Nirvana!

Muito rápidamente esse sentimento muda ao som do compasso apressado de «On the Run». Esquisofrénico no mínimo, é como se pode descrever este tema que poderia ser incluído num filme de Stanley Kubrick. Mais uma vez os efeitos sonoros criam uma envolvencia total dentro do álbum. The Dark Side of the Moon é uma novela abstrata que não se escuta mas que se vive, que se sente.
Os compassos e os tempos não são habituais, mas nada nestes senhores é simplesmente «habitual» ou comum.
Ao longe ouve-se os ponteiros do relógio...

«Time» apresenta um grande momento de criatividade de David Guilmor na sua famosa Fender. Sem medo atira-se para um dos melhores solos do álbum. A sequência introdutória é simplesmente um golpe de génio. A simples percepção dos sons mais comuns e familiares demonstra a genialidade da composição.
O alarme fora activado: abram os olhos para a vida!

«And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun»

A mensagem nunca fora tão directa em toda a sua carreira. As palavras de Roger Waters caem na perfeição no mundo apoteótico de sintetisadores e de efeitos nunca dantes assimilados pelo público geral.
A mensagem é alarmista mas de certa forma cria um efeito «flutuante»... somos mais uma vez embalados no slide de David Guilmor que antecede um dos melhores instrumentais de todos os tempos e uma autentica celebração da vida e dos sentimentos que a compõem.
«The Great Gig in the Sky» é um privilégio á audição. Simplesmente maravilhoso do principio ao fim.
Um dos mais conseguidos da banda em toda a sua incrivél carreira.

Ao som de moedas a cair, de slot-machines tipicamente relacionadas aos casinos e uma referência á sociedade consumista, «Money» é o abrir de muitas portas no caminho ao mega-sucesso dentro do rock mainstream.
A critica é mais do que obvia. Tudo gira á volta dele. Resume os objectivos de vida e a critividade humana. Limita-nos.
A sequência da guitarra ritmo é viciante, o delay e o efeito resonancia é incrivél, dando um tom muito mais jazzy e ritmico. O compasso é algo invulgar, uma sequência de 7/4. Numa onda mais Blues e menos psicadélica, este tema é incontornável na escadaria do sucesso dos Pink Floyd. Possivelmente o tema mais reconhecido comercialmente a par de Another Brick pt.2 .
O seu solo é duma composição genial, e a contribuição do saxofóne é brilhante.
Este foi o primeiro single deste álbum e fácilmente se atribui grande parte do sucesso de vendas a ele próprio. Começava aqui a politização dos Pink Floyd perante o mundo e a sociedade que os rodeava.
Por incrivél que pareça este é o unico tema do álbum a fazer parte dos top 20 de singles nos EUA.

«Us and Them». O momento mais introspectivo do álbum. É suave e melancólico e prime pela harmonia de sons e de ecos vocais de David Guilmor. «...we're all ordinary man» resume-se nas suas palavras.
É o momento mais prolongado do álbum, mantendo uma estrutura estável com picos pelo meio de onde se destacam os back vocals que criam grande parte do ambiênte para o qual os Pink Floyd nos tentam enviar. É de facto um ponto a destacar. Os efeitos vocais não ficam nada atrás aos dos sintetizadores que parecem não ter barreiras. Sem dúvida um tema belíssimo.

«Any Colour You Want» é uma das metáforas apresentadas, desta vez sem o contributo de Roger Waters, habitualmente digno dos créditos da banda.
Uma contribuição que quase se poderia dizer que seria Guitarra vs Sintetizador, mas a conjugação é perfeita. Repare-se num fade-out a relembrar «Breath»...

«Brain Damage» volta a brincar com os ecos de fundo, num registo mais profundo ao qual parece haver algumas referências ao falecido companheiro Syd Barret, o possível "Lunatic". Este tema que dá nome ao álbum ( " see you on the dark side of the moon") é das primeiras provas da capacidade vocal de Rogers Waters, que mais tarde iria levar a cabo o histórico concerto em Berlim em 90 num pós-queda do muro.
«Eclipse» dá seguimento á composição chegando á recta final.
Ao fim da audição de Dark Side of the Moon sente-se que se emoldurassem estes temas, teriamos um Museu Guggenheim na cabeça. The Dark Side of the Moon é um pedaço de arte, de história e de simples magia.


1- Speak to Me
2- Breath
3- On the Run
4- Time
5- The Great Gig in the Sky
6- Money
7- Us and Them
8- Any Colour You Want
9- Brain Damage
10-Eclipse

«From the Flarens to the Fribles»


«From the Flarens to the Fribles» dá continuídade ao projecto inicíado no Metal Masters Review, que tinha como base as sonoridades pesadas.
Este está dirigido a toda uma distinção de géneros musicais sendo muito mais subjectivo que o primeiro blog criado.
Aqui presta-se homenagem a todos aqueles que contribuíram com a sua obra para a história da música. Dos clássicos às novidades.
E nada melhor do que analisar o trabalho destes artistas para perceber a dimensão dos mesmos.
Trata-se de uma visão pessoal de minha autoria, não se tratando de qualquer tipo de ciência métrica nem uma observação dogmática, simplesmente a minha opinião.
Mais uma vez os álbuns que por aqui passarão não tem qualquer tipo de fio condutor, são simplesmente obras que escolho, tal como apresento no outro Blog.