
Desde Discovery, aquele mítico segundo álbum dos míticos Daft Punk, que a música electrónica não encontrava um trabalho á altura. Cross , chamemos-lhe assim, é possivelmente o melhor álbum de estreia do género, criando de forma automática o estatuto de estrela da dupla Gaspar / Xavier, os Justice.
As influências francesas são mais do que óbvias, no entanto, os Justice pegaram na fórmula dos DP e recriaram todo o conceito, tornando-o mais «pesado» no que toca aos “beats” que se demonstram monstruosos, cheios daquela sujidade que hoje em dia distingue o sucesso do Maximal e do Fidget perante todos os outros géneros distintos. A própria Ed Bangers Records é a prova desse sucesso.
«Genesis» abre esta “cruz” como nem no Antigo Testamento tinha conseguido! Uma entrada que relembra aqueles momentos épicos dos filmes típicos da Páscoa dá entrada a um mundo de efeitos catalisadores para o maior dos agnósticos no que toca ao dancefloor. Pede-se emprestado umas palmas a «In da Club», que ninguém repara e arranca que se faz tarde!
Alguém anda para lá ao tiros com a sua pistola lazer, porque nesta galáxia somos alvo de tiroteio constante, e «Let There Be Light» aumenta o ritmo.
Se no século passado os velhinhos AC/DC diriam «Let There Be Rock», os mais “modernos” vêem os neons como a luz de saída. Os ritmos alucinantes fazem corar muito do techno de terceira que muito se ouvia á uns aninhos - que vergonha!
Esta nova vaga no mundo da electrónica veio cheia de boas perspectivas quanto ao futuro, de Boys Noize a MSTRKRFT, passando pelo Steve Aoki e os seus colegas Bloody Beetroots, têem certamente como referência este incrível álbum.
«D.A.N.C.E.» dá a conhecer os Justice ao mainstream de cadeias como a MTV com o famoso vídeo das t-shirts , sendo galardoado pelo sucesso que ditou. É também o momento mais cantável do álbum a par de «We Are Your Friends», um hino dos fans dos Justice.
Ao vivo apresentam toda uma introdução à capella que se demonstra um dos picos de ansiedade verificado em Across the Universe (ao vivo). Um tema que vai inteiramente dedicado ao rei da pop Michael Jackson, que mais do que ninguém, abalou as pistas de dança como nunca ninguém o fez.
«New Jack» demonstra descaradamente as tais referencias a Daft Punk que referia anteriormente. A fórmula é simples, dançável e sem picos. «Phantom» introduz um neo-clássico, lá está , «Phantom pt.II» . Juntos demonstram o que de melhor vieram os Justice trazer ao mundo. As influências do Heavy Metal (anteriormente eram uma banda de covers) transcendem os trocadilhos e as versões ( «Master of Puppets» a fechar os dj sets) . É das músicas mais “pesadas” do álbum, num trabalho de mistura ideal, um chamariz a qualquer DJ que se preze!
Por sua vez, «Valentine» demonstra-se despreocupado e fluído, o órgão manda até onde a bateria deixa…
«Tthhee Pparrttyy» está prestes a começar! Uffie dá a voz : «Let me tell you what I do when my day is over…».
O preview fica dado, num tema que deixa muitas das camadas de efeitos de sintetizador de fora para dar um maior ênfase vocal como não se verifica no resto do álbum. Diga-se a verdade, a melhor das opções.
«DVNO» começa a party bem ao género Club, aquele em que o imaginário nos leva para Ibiza onde tudo o que é loira sobe ao balcão para perder a cabeça! O tema mais virado para o House é no entanto trabalhado ao ponto de ter claramente o selo de qualidade do duo.
Contrariando a ideia dum instrumental, este tema prova que Cross tem tudo menos o que seria preciso para se tornar enfadonho, muito pelo contrário, é dinâmico e contrastado.
O momento mais “a rasgar” do álbum é o algo desvalorizado «Stress» que capta bem o título, cheio de efeitos e de samples que certamente ajudaram aos tais 400 álbuns usados em pequenos efeitos e enfeites. A sirene alarma tudo e todos num tema cheio de novas ideias e de um experimentalismo puro e duro que demonstra todo o potencial por explorar dentro da electrónica.
Mais um trocadilho a um clássico do Heavy Metal , «One Minute do Midnight» dá entrada a uma das sequências mais famosas dos Justice, cantada em coro pelos noctívagos. Ao vivo a versão fica acelarada, e demonstra-se perfeita para saltar, suar – rebentar com tudo!
Numa linha de raciocínio, «D.A.N.C.E.» vêm dar a despedida de todo o conjunto de músicas maravilhosas apresentadas a longo deste Cross, no entanto é na obra-prima que reside o encore : «Waters of Nazareh».
Não faço a mínima ideia se esta se trata duma referencia a «Rivers of Babylon» dos Boney M, uns tais jamaicanos que residiam na Alemanha e faziam temas disco dos anos 70 terrivelmente irritantes…não interessa…
Espectacular!! Cuidado com o Bass, com o Treble, cuidado com o volume… o perigo de surdez é iminente, entra e corrói sem dó nem piedade. Um dos momentos mais explosivos da jovem carreira e que muito dita do seu sucesso. A escolha deste tema para single de apresentação é mais do que de louvar! Era obrigatória!
Cheia dum certo ruído e de efeitos que no mínimo deixaram o ouvinte desconfortavelmente apático sem saber como reagir. Um tema para ser tocado no pico das melhores noites! O topo da cadeia alimentar da música electrónica dos últimos anos.
Cross é devastador, é imparável e imprevisível. Depois disto, nunca mais pegarão num Orbital Mix ou num Portugal Night, isso garanto-vos eu.
É tudo menos metal, mas que parte a loiça toda parte!
1- Genesis
2- Let There Be Light
3- D.A.N.C.E.
4- Newjack
5- Phantom
6- Phantom pt.II
7- Valentine
8- Tthhee Ppaarrttyy
9- DVNO
10-Stress
11-Waters of Nazareh
12-One Minute to Midnight
Muito Bom texto! percebe-se que n é a tua area forte mas tens razao em quase td e gosto das metaforas q usas xD
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